quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sou seu H.I.V. - texto de Mjiba

Redatora da Agenda Cultural da Periferia, Elizandra Souza - Mjiba, levou o texto de sua autoria "Sou seu H.I.V." para o 9° encontro do Intercâmbios JuventudeArte.


Sou seu H.I.V.
(Elizandra Souza - Mjiba)

Divirta-se!
No seu momento de distração,
Transcendência, gozo e alucinação.
Sutilmente penetro na sua fortaleza
Injeto meu vírus. Aí, que beleza!
Demoro um tempo para ser percebida
Quando perceber já estou acabando com a sua vida
Vou acabando com sua imunidade
Como corda vou amarrando seus braços
Deixando-te sem mobilidade
Seus glóbulos  vou matando sem piedade
Sou poeta destruidora de alienação
Saudando minha ancestralidade
Combatente, militante contra a padronização.
Onde diz que só a loira é bonita
E que o feio está em mim
Enganou-se, pois, sou descendente de Zumbi
Resistente que nem Anastácia
Liderança feminina feita a Dandara
Posso organizar um esquadrão
De talentos marginalizados assim como Luiza Mahin
Na revolta do Malês linha de frente
Posso me incorporar com marinheiro
Dominando as náuticas João Cândido guerreiro
Ainda continuamos nos porões
Lixo, esgoto, escravidão e senzala
São heranças que nos foram deixadas
Iguais a mim existem vários na missão
Organizando-se, se armando de informação.
Para vocês somos algo negativo
Como o vírus do HIV no organismo
Cada dia mais vamos nos fortificando e se proliferando
Somos veneno e não temos antídoto
Espalharemos a destruição
Destruiremos essa herança escravocrata
Estrutura capitalista, racista, exploradora, deturpada.
Ah! Se achar que acabou se prepare.
Pois agora irá ouvir o que nos tem fortificado
Foi o seqüestro que me trouxe a esse continente
A condição desumana que fui transportada junto aos dejetos
Os estupros como se eu fosse um animal
Os ferrões no meu corpo simbolizando que agora eu era seu objeto
Seu brinquedo vivo de certo
Sou nascida de sangue, suor, lágrimas
Acuada, desprotegida como rato na frente de um gato
Minha religião foi amaldiçoada, e a sua dizia que eu não tinha alma
Dominaram minha língua e impuseram a de vocês
Como se a minha nada representasse
Meus seios cheios de leite por seus filhos eram sugados
Enquanto os meus bebês morriam de fome e maus tratos
E assim fui nutrida com a ajuda dos orixás
Resisti até aqui no século XXI
Sendo que na minha casa falta o pão
Na infância faltaram-me os brinquedos para a diversão
Fui crescendo alimentada pelo descaso
Pela fome, pela negação de oportunidades
Sem políticas públicas, sem escola, sem faculdade
Hoje quero reparação, mesmo que não apague as chicotadas
Quero vida decente para a futura geração
Sei que vocês continuam se achando superiores
Mas não se esqueça que sou seu HIV
Estou entrando devagarzinho e levarei aos poucos
Tudo que nos foi roubado.




Quer saber mais?
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Reportagem sobre o projeto Intercâmbios JuventudeArte no morro do Salgueiro

Jovens participantes do projeto Intercâmbios JuventudeArte, autores do mapa cultural do Morro do Salgueiro, falam sobre os pontos culturais de sua comunidade.
Confira no link abaixo:

Reportagem: Tabajaras ganha mapa cultural para visitantes

Foto: Ratão Diniz

Jovens participantes do projeto Intercâmbios Juventudearte, autores do mapa cultural do Morro dos Cabritos/Tabajaras, mostram os pontos culturais da comunidade à equipe de reportagem do Globo Internet. Confira no link a seguir:

http://oglobo.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/selecaooglobo/1734668

Saiba mais sobre o lançamento dos mapas culturais aqui

Diário de Bordo - 9° dia

Rio, 10 de dezembro de 2011 – 9º. encontro
SALGUEIRO
É NÓS!


Chegamos sendo intimados a responder perguntas:
- O que mais gostou?
- O que não gostou?
- O que faria diferente?
- O que pode ser feito a partir do mapa na comunidade!
Depois fomos na padaria do Julio comprar pão com mortadela (Erica, Camila e Pati).
Fizemos uma roda e organizamos os detalhes do evento, festa de lançamento do mapa nas comunidades é no dia 15/12 na Light.


Depois do almoço.
Em seguida tivemos a visita dos “paulistas”.
MIJIBA – jovem negra revolucionária que apresentou a agenda cultural da periferia de São Paulo.
Eleilson que falou sobre os vários tipos de guias de São Paulo e vários projetos que ele criou lá em São Paulo.
Mijiba terminou a conversa com uma bela poesia sobre o racismo chamada “Sou seu HIV”.
Eles vieram aqui pra nos incentivar a continuar o projeto, as ações...
Relembrando que quando planejamos os eventos de lançamento dos mapas listamos pra que? Por que? Pra quem? Onde? Quando? Como? Com que recursos?Quem faz o que?
Combinados finais:
- PRESENÇA DE TODOS NO DIA 15, NA LIGHT, ÀS 16:30 levando amigos, familiares e mapeados.
- Realização do lançamento do mapa na comunidade.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Futuros possíveis desdobramentos para mapa cultural de comunidades do Rio

A Agenda Cultural da Periferia é uma publicação mensal idealizada pela organização não governamental Ação Educativa. A iniciativa surgiu há um pouco menos de cinco anos para preencher uma lacuna – a falta de divulgação pelos grandes meios de comunicação de iniciativas culturais que ocorrem na periferia de São Paulo. Guias culturais de grandes jornais como a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo acabam por fornecer informações que privilegiam atividades e grupos que se apresentam na parte mais abastada da cidade. A editora da Agenda, Elizandra Souza, e o coordenador editorial da publicação, Eleilson Leite, estiveram presentes no último encontro do Projeto Intercâmbios Juventude Arte, realizado no último sábado, 10 de dezembro, para dialogar com os jovens participantes do projeto sobre como o mapeamento cultural das comunidades dos Cabritos/Tabajaras (Copacabana), Providência (Centro) e Salgueiro (Tijuca) que realizaram pode se desdobrar em outras ações.


Como surgiu a ideia de criar a Agenda Cultural da Periferia?

Antônio Eleilson Leite: Desde 2005 eu tinha vontade de mostrar o que a periferia faz em termos de arte e cultura, porque os principais guias culturais de São Paulo não divulgam essas informações. Até hoje esses guias não mostram as ações da periferia. Então, recebemos patrocínio para fazer um mapeamento de ações culturais na periferia de São Paulo. No final do processo, em vez de publicar um mapa cultural, optamos por criar e publicar três edições da Agenda Cultural da Periferia. Inicialmente, tínhamos recursos apenas para essas três edições, mas nunca mais paramos de fazer, até os dias de hoje.  As primeiras edições contaram com cerca de 40 eventos divulgados. Quatro, cinco meses depois havia 80 eventos.

Qual a importância de uma iniciativa como essa?

Antônio Eleilson Leite: Mostrar que a cidade é muito mais do que o centro expandido. Alargar o sentido de cidade. O último guia da Folha de São Paulo divulga 220 peças de teatro. Não há sequer divulgação de peça em São Bernardo do Campo, que é o 10º orçamento da União. A visão do circuito cultural é muito estreita.

Quais têm sido os principais frutos desse trabalho?

Elizandra Batista de Souza: O registro das atividades que ocorrem na periferia tem promovido troca entre os grupos. A publicação tem sido fomentadora de redes. Outra coisa que tem ocorrido é o aumento de interesse por divulgar atividades na Agenda.  Não damos conta de divulgar tudo o que aparece. Muitas das atividades que não conseguimos publicar na Agenda da Periferia impressa vão para o site. Fora isso, estamos divulgando a Agenda por web TV, no portal Catraca Livre, e pela rádio web de Heliópolis, uma das maiores favelas com 140 mil habitantes.

Antônio Eleilson Leite: A Agenda da Periferia tem servido como portfólio para muitos dos grupos que são divulgados por ela. Existe um edital chamado VAI – Valorização de Iniciativas Culturais da Secretaria Municipal de São  Paulo, voltado para grupos de juventude de periferia e muitos que concorrem a esse edital anexam a Agenda.


A Agenda circula mais entre pessoas da própria periferia ou outros públicos também têm acesso?

Elizandra Batista de Souza: O foco principal é a periferia. A maior parte da tiragem é distribuída nos próprios eventos que divulga. 8 mil exemplares vão para a periferia e 2 mil para o Centro de São Paulo, em locais onde grupos de periferia estão se apresentando. Há uma seção na publicação chamada A Periferia no Centro.

Antônio Eleilson Leite: Hoje temos uma tiragem de 10 mil exemplares, se tivéssemos 30 mil, distribuiríamos tudo. Existem 55 bibliotecas públicas. Distribuímos apenas em 10 localizadas mais na rota da periferia, por conta da tiragem. E existem 44 Centros de Educação Unificada na periferia, o CEU. Não temos atualmente como distribuir para todos.

E depois que a Agenda começou a ser publicada, os grandes meios de comunicação passaram a divulgar mais iniciativas da periferia?

Antônio Eleilson Leite: A mídia toma conhecimento de tudo o que está ocorrendo. O que ocorre é, quando aparece muita ocorrência de sarau ou roda de samba na Agenda, vemos a publicação de uma matéria sobre o assunto na mídia. Mas não há divulgação de um evento específico.

Quais os desafios futuros para a Agenda Cultural da Periferia?

Elizandra Batista de Souza: A expansão. Aumentar o número de páginas, a equipe. Poder incluir matérias. Transformar a agenda em uma revista. Tem muito a fazer ainda. Poderíamos divulgar Hardcore. Tem bastante rock de periferia. Eles nunca procuraram a gente e a limitação de equipe impede que a gente vá buscar informações nessa área. O mesmo ocorre com o Forró, o Funk. Tem para onde expandir ainda mais. E também temos consciência que a periferia é muito diversificada, é um prisma cultural que queremos atingir, mas é desafiador.

Mais informações:

Diário de Bordo - 8° dia

Lizinha, Salgueiro

Foto: Edmilson de Lima

Sábado dia 26.11.2011
Chegamos ao curso falamos uns com os outros e fomos tomar café e depois voltamos de novo a falar do mapa da nossa comunidade. Para facilitar fomos para sala de computação, lá ajeitamos o que estava faltando e o que estava certo e o que estava errado para acabarmos com o nosso mapa. Depois uma pausa. Chegou a hora mais legal: hora da comida. Nossa, a comida estava uma delícia. Depois que acabamos de comer voltamos para a sala de computação e sim, demos fim ao mapa da nossa comunidade.
Acabamos que bom. Só em saber que acabamos e que o mapa que fizemos vai estar na nossa comunidade. Que bom, assim as próprias pessoas que moram na nossa comunidade conhecem um pouco mais o que tem de bom e de interessante na nossa comunidade. Nem todo mundo que mora nela conhece tudo o que tem de bom, assim as pessoas passam a conhecer melhor. Foi muito bom trabalhar com o mapa, mas foi um pouco cansativo mas foi maneiro. 


Depois chegou uma visita muito importante para a gente: a mulher que trabalha na Light. Conversamos com ela, falamos com ela da importância da luz na nossa comunidade e o que pode e o que não pode e o que gasta muita luz. Depois acabamos de conversar com ela, nos despedimos de todos e das professoras e voltamos a nossa comunidade. Mas que pena, esse curso foi um dos últimos, o curso já está para acabar. Que pena, vamos sentir muitas saudades uns dos outros. Logo agora que o curso estava começando a ficar interessante vai acabar, mas foi bom fazer novas amizades e conhecer culturas diferentes.
Um beijo. Vou sentir muitas saudades de tudo e de todos!
Ass: Lizinha :)

Veja mais:

Diário de Bordo - 7° dia

Joice da Silva Almeida, Providência

Foto: Edmilson de Lima

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2011.
Enfim conhecemos o Salgueiro, mas como não era de se estranhar o nosso 6º encontro começou atrasado. Rsrsrs.
A nossa primeira atividade do dia foi a apresentação do mapa que fizemos no encontro passado. Que foram as pontes de referência que fomos identificando no mapa, em cima disso podemos daí discutirmos, tirarmos nossas dúvidas e acrescentarmos algo mais que achamos de importante pra entrar no nosso mapa.
O segundo momento foi o que todos esperávamos o paparote (comida). Durante o intervalo que fizemos teve o momento pop star foi a hora que fizemos várias poses para sermos fotografadas pelos fotógrafos Ratão, poxa agora fugiu o nome do outro fotógrafo da minha cabeça.
Mas gostamos muito de termos tido a presença deles nos nossos encontros. Estas fotos que tiramos vão fazer parte do nosso mapa.

Foto: Edmilson de Lima

Terceiro passo foi vermos algumas fotos que foram levadas pelos nossos colegas, comentamos cada foto que vimos. Depois formamos grupos e cada grupo saiu dali com uma máquina fotográfica e fomos retratar alguns moradores da comunidade. Grande parte das pessoas que foram fotografadas fazem ou fizeram parte da história da comunidade do Salgueiro e vão fazer parte do mapa do Salgueiro também.
Enfim chegamos ao final de mais um encontro, comentamos as fotos que tiramos dos moradores. Os moradores do Salgueiro são muito simpáticos pois não tivemos nenhum problema em fotografarmos.
Obs: a cada sábado que se passa nos entrosamos cada vez mais, e fazemos mais amizade entre as comunidades e isto está sendo muito legal para todos. Tô gostando muito de ter conhecido todos vocês e de tá fazendo parte desse projeto. Um grande beijo para todos e que todos fiquem com Deus!
Ass: Joice Providência

Veja mais:

Diário de Bordo - 6° dia

Hudson da Silva Costa, Cabritos/Tabajaras

Foto: Ratão Diniz

Comunidade Tabajara!!
Centro Cultural Ação da Cidadania.
É mais um dia de batalha.
Finalmente conseguimos alcançar e completar a nossa missão.
Hoje caminhamos um bom pedaço do caminho, mas ainda faltam alguns mínimos detalhes.
O pior já passou, mas o dia não começou muito bom.
Eu estava com uma ressaca braba quase não consegui fazer nada. Só depois que a tia Cristina me deu um remédio que eu fiquei mais ou menos bom.Só na hora do almoço que eu melhorei mesmo.
Mas voltando para o mapa, depois do almoço fizemos uma brincadeira maneira. Mas não demorou nada e já começamos a trabalhar de novo.
É, mas apesar de tanto esforço, no final todos saíram rindo com o seu dinheirinho no bolso. (RSRSRS).

Veja mais:


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Fora do Eixo, No Centro da Cultura!

Você conhece a Casa e Circuito Fora do Eixo? Espaços alternativos de cultura e comercialização de produtos culturais por meio da esconomia Solidadria? Então segue uma entrevista que fiz com os Coordenadores da Casa fora do Eixo de São Paulo, Conheçam e se integrem nessa rede! Boa Leitura!



O Circuito Fora do Eixo iniciou seu trabalho buscando estimular a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologias e o escoamento de produtos que saíssem da rota no mercado musical convencional. E com sua ampliação, passou a estruturar sua organização através de frentes temáticas, mediadoras e produtoras que encampam discussões amplas e transversais.

As frentes temáticas representam os núcleos de linguagens artísticas, culturais e sociais adotadas pelo circuito e, por isto, movimenta agentes e projetos culturais na rede. São elas Música, Palco Fora do Eixo, Clube de Cinema, Fora do Eixo Letras, Economia Fora do Eixo, Centro Multimídia, Tecnologias Livres, Nós Ambiente, Poéticas Visuais, PCult e UniCult.

São mais de 5.000 shows realizados por ano, além de Saraus Literários, oficinas, debates, observatórios, transmissões ao vivo, cineclubes e outras centenas de eventos que transversalizam entre as mais variadas linguagens artísticas, através das frentes temáticas em uma só hashtag, #tudoaomesmotempoagora. As parcerias Abrafin - Associação Brasileira de Festivais Independentes e TNB - Toque no Brasil.

Já as frentes produtoras são as responsáveis pela execução dos trabalhos demandados pelas frentes temáticas da rede. Elas que convertem a idealização de um projeto do papel para a prática, transformando as idéias em realidade. São fontes de produção do trabalho (card) necessário para suprir as demandas das Frentes Gestoras e dos parceiros integrados ao sistema, atendendo a cadeia produtiva cultural local. São elas Intercâmbio, Distro e TecnoArte.

As frentes mediadoras, por sua vez, compõem o sistema solidário Fora do Eixo e têm o papel fundamental de gerar o fluxo entre as frentes temáticas e produtoras da rede, elaborando mecanismos de sistematização, mapeamentos, pesquisa, concepção, execução, sustentabilidade, mobilização, articulação, comunicação e dinâmica entre os agentes, frentes e pontos do circuito. São elas Banco Fora do Eixo e Centro Multimídia.

Assim, o Fora do Eixo democratiza e horizontaliza todas as tecnologias e informações, provocando a transversalidade entre todas as Frentes, o que resulta em iniciativas como o Festival Grito Rock, que se em 2003, durante sua primeira edição, contava apenas com Cuiabá para sua produção, saltando em 2011, no Brasil e América Latina, para 130 cidades em 10 países.

Como o Fora do eixo vê a cena cultural independe hoje, precisa de recurso? como capta-los?

Acreditamos que o cenário cultural nos últimos anos se desenvolveu muito, a ponto de hoje ser auto-sustentável. Então achamos que a primeira coisa é as iniciativas culturais se entenderem como independente e interdependentes. Explicando melhor, independente do governo ou das empresas; e interdependente no sentido das relações criadas em sua cadeia produtiva e estrutura de mercado. É a Economia Solidária, o desenvolvimento coletivo. A troca de serviços aparece como um grande viabilizador, fazendo as coisas acontecerem e gerando um capital simbólico que representa muito mais que o recurso pelo recurso. Desse modo o processo todo gera mais oportunidades, e é justamente esse capital simbólico que oxigena a cadeia onde o recurso circula. Afinal, um mercado auto-sustentável é muito atrativo para o poder público (que tem o dever de investir na produção cultural da sociedade) e nas empresas, que enxergam amplas perspectivas mercadológicas nesse novo mercado que caminha a passos largos para sua consolidação. É saber vender sem SE vender.

O que vocês entendem por "Juventude transformando com Arte"?

A arte atualmente é o que mais aproxima o ser humano de um senso de liberdade, fora daquele senso comum que nos obrigam a reproduzir desde que nascemos: ter um emprego, ser funcionário, obedecer patrão, obedecer o sistema. A cadeia produtiva gerada por esse novo mercado da arte que surgiu no Brasil nos últimos anos consegue formar consciência através de suas características políticas, econômicas a até afetivas. Ela promove o compartilhamento de experiências e mostra mais possibilidades de protagonismo e auto gestão. Logo um grupo de jovens percebe que ele pode ir mais além, e começa a contaminar da mesma forma outro grupo de jovens, que contamina outro e assim vai. isso é transformador.

Saiba Mais
http://casa.foradoeixo.org.br/


O Circuito Fora do Eixo é uma rede de trabalhos colaborativos que conecta grupos e empreendimentos solidários, movimentado as cadeias criativa e produtiva cultural. Concebida em 2005, por agitadores culturais das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR), a rede se consolidou e, hoje, conta com mais de 100 pontos de articulação e de linguagem, além de centenas de parceiros, colaboradores e entusiastas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mapa cultural de três favelas do Rio será lançado em 15 de dezembro

Jovens moradores dos morros dos Cabritos/Tabajaras (Copacabana), da Providência (Centro) e do Salgueiro (Tijuca) concluem guia cultural de suas comunidades, que será lançado no dia 15 de dezembro, no Centro Cultural da Light, Av. Marechal Floriano, 168, Centro do Rio de Janeiro, a partir das 17h.


 “Este mapa/guia expressa o olhar de um grupo específico de jovens sobre a sua comunidade e nos convida a conhecê-la percorrendo circuitos que evidenciam suas características, riquezas e tradições culturais”, avalia Angela Nogueira, uma das coordenadoras do projeto Intercâmbios Juventude Arte.

Cada mapa apresenta opções de circuitos que podem ser percorridos pelas pessoas interessadas. As publicações divulgam ainda o histórico das comunidades, além de informações sobre cada um dos 100 pontos culturais listados que incluem artistas locais, pontos históricos e de encontro, projetos educacionais, culturais ou esportivos empreendidos por moradores, trilhas ecológicas e locais de onde se têm vista da cidade. O guia também divulga o contato de antigos moradores, grandes conhecedores da história local e fomentadores de iniciativas.


O projeto Intercâmbios Juventude Arte é uma ação do programa Juventude Transformando com Arte, idealizado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e patrocinado pela Light e pelo Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Entre os parceiros da iniciativa estão: Instituto de Arte Tear, Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi/PUC-Rio) e Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), além da participação especial da Ação Educativa, de São Paulo.

Jovens falam sobre criação de mapa cultural de comunidades

Jovens integrantes do projeto Intercâmbios Juventude Arte escrevem sobre o processo de criação de mapa cultural de suas comunidades. Por meio desses depoimentos, expressam suas escolhas, os desafios, a valorização de sua cultura.


O texto poderá ser conferido de forma integral no guia, que será lançado em 15 de dezembro, no Centro Cultural da Light, Av. Marechal Floriano, 168, Centro do Rio de Janeiro, a partir das 17h.


Confira alguns trechos desses depoimentos:

Providência

“Descobrimos certos valores culturais, educacionais que são importantes na Providência. Trabalhamos para poder, com esse mapa, mostrar a história da comunidade não só para os moradores da Providência, mas também para quem é de fora conhecer nossas riquezas e valores”. Delimitamos a área do mapa por acreditarmos que esta representa o Morro da Providência de forma mais atualizada. A escolha dos percursos foi uma decisão do grupo uma vez que esses são pontos de forte representação cultural na comunidade.”

Salgueiro

“Fizemos entrevistas com pessoas de diferentes lugares e percorremos todas as partes do morro, procurando ampliar nosso conhecimento sobre a comunidade, buscando histórias que nós mesmos não conhecíamos. Não foi fácil fazer o mapa. A cada semana uma nova etapa, um novo obstáculo. Foi um desafio lidar com opiniões e pensamentos diferentes, decidir quem entra e quem sai do mapa, por que entra e por que sai, quais são as características, as manifestações e os aspectos culturais do Salgueiro. Descobrimos que não existe uma cultura só, mas muitas. Aceitamos o desafio e, a cada encontro, construíamos novos conhecimentos”.

Cabritos/Tabajaras

“Descobrimos que no Tabajaras também há cultura. Muitas histórias nos foram reveladas pelos mais antigos e alguns pontos culturais que nós mesmos não conhecíamos. Com esse mapa, acreditamos que ficará mais fácil, para pessoas daqui e de outros lugares que não conhecem a comunidade, visitá-la e ver que no nosso morro também há coisas boas.”

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Entrevista: Fernanda Mayrink

Fomentar o protagonismo de atores locais, especialmente jovens de comunidades, está entre os objetivos em termos de responsabilidade social da Light, patrocinadora do projeto Intercâmbios JuventudeArte. Fernanda Mayrink, Gerente de Atendimento às Comunidades da Light, fala da importância da iniciativa e dos desafios da empresa com a implementação de um novo modelo de relacionamento com os clientes nas comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).


Qual a importância de fomentar iniciativas como o mapeamento por jovens de ações culturais em suas comunidades?

Fernanda Mayrink: A Light quer contribuir com o desenvolvimento sustentável das áreas que estão sendo pacificadas. Para isso, é necessário um intenso trabalho de articulação com as diversas instituições e as políticas públicas, mas também o protagonismo dos atores locais. Integrar as áreas pacificadas, resgatando o histórico das comunidades, contribui para o surgimento de novos líderes. Essa força está com os jovens.

Quais são os principais frutos do projeto?

Fernanda Mayrink: A oportunidade de que haja uma troca de experiências, informações entre jovens dos Cabritos/Tabajaras, do Salgueiro e da Providência, o que nem sempre é possível. Acho isso muito rico. Cada comunidade tem a sua história, as suas particularidades. Fazer um mapa dessas localidades representa o resgate da cultura, da história. Além da  possibilidade de integração entre comunidades e de fomento do protagonismo de atores locais. 

E a busca desse protagonismo e integração está ocorrendo pelo viés da cultura...


Fernanda Mayrink: A cultura é fundamental. Sem isso o ciclo não se fecha. Espero que esse mapeamento fortaleça a cultura dessas localidades. 

Você participou de um dos encontros do projeto para falar sobre o uso de energia. Com a chegada das UPPs, a Light tem implementado mudanças nesses territórios.


Fernanda Mayrink: Essas áreas viviam na informalidade. Com as UPPs, com a formalização, chegam serviços e o pagamento por eles. A conta de luz faz parte do processo.  O encontro com os jovens foi uma oportunidade de mostrar o que a Light tem feito e trocar, dialogar, tirar dúvidas sobre consumo, Tarifa Social etc.

Uma das questões levantadas pelos jovens, a maioria chefe de família, foi o fato de chegarem as contas, porém poucas iniciativas de geração de trabalho e renda para que façam frente aos pagamentos. O que a Light tem implementado nesse sentido?

Fernanda Mayrink: Entre os cursos que oferecemos está a formação de eletricistas da rede aérea. .Formamos duas turmas com moradores de comunidades pacificadas. É uma forma de capacitar e inserir esta  mão de obra no mercado formal. Outro projeto é o Light Recicla, que propõe a troca de lixo reciclável por desconto na conta de luz. É uma alternativa de pagamento. O dinheiro que seria gasto com a conta de luz pode ser direcionado  pelos consumidores para outras ações. Essa iniciativa começou no Santa Marta, em Botafogo, e agora, será implementada no Chapéu Mangueira e Babilônia. O projeto ajuda a tirar o lixo das ruas, gera renda pelo desconto na conta de luz e promove saúde, uma vez que diminui focos de dengue. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Entrevista: Vinicius Ladeira

Jovens dos morros Cabritos/Tabajaras (Copacabana), Providência (Centro) e Salgueiro (Tijuca) se reuniram neste último sábado, 26 de novembro, para os ajustes finais nos mapas culturais das três comunidades, que serão lançados em 15 de dezembro. O projeto Intercâmbios JuventudeArte, que teve início em meados de setembro, chega ao fim com resultados positivos. O designer do Núcleo de Produção da Oi kabum, Vinicius Ladeira, fala da importância do processo de construção conjunta dos mapas e ressalta o envolvimento dos jovens participantes.

Foto: Edmilson de Lima

O projeto foi idealizado de forma a permitir o desenvolvimento dos mapas culturais de forma participativa, com uma real integração entre os profissionais envolvidos e os jovens das comunidades. Como você avalia esse processo?

Vinicius Ladeira: É a primeira vez que me envolvo com um trabalho nessa escala. Estamos lidando com territórios onde moram pessoas, é complexo, precisamos ser detalhistas, construir em conjunto com moradores desses locais. É muito bonito ver os jovens que ficaram do início ao fim do projeto trabalhando juntos. Estão se dedicando à construção do mapa, se sentindo responsáveis pelo resultado do trabalho. Você vê que não está sozinho, que somos uma equipe.

O que mais chamou a sua atenção no desenvolvimento do trabalho?

Vinicius Ladeira: Todo o trabalho que faço eu vejo como um processo para além do trabalho, como um processo pessoal também. Há o desenvolvimento do produto e a transformação da minha percepção. Depois que iniciei esse trabalho, percebo as comunidades de forma diferente. Não vejo como pessoas carentes que precisam de ajuda, como um lugar caótico, temeroso. Tenho um olhar da auto-gestão. Se não tem alguém que faça por mim, eu mesmo vou fazer.  Foi um enriquecimento pessoal.

Quais os principais desafios na execução do desenho do mapa?

Vinicius Ladeira: Cada passo do mapa é um desafio diferente. As favelas são um emaranhado de caminhos. Os jovens elegeram os melhores, fizeram escolhas para simplificar. Eles pegaram esse trabalho com propriedade e ficaram até o final. Os caminhos internos foram bem complicados de executar. Tentei simplificar para ficar agradável visualmente, mas, muitas vezes, essa simplificação não traduzia os caminhos de forma correta, sendo necessários ajustes.

Por que um mapa cultural de comunidades do Rio de Janeiro é importante?

Vinicius Ladeira: Vai ser muito interessante para as pessoas de dentro da comunidade valorizarem o que elas têm. O conhecimento pode ser adquirido em todos os lugares, basta saber procurar. Todo lugar tem uma história. As pessoas que estão ao redor é que fazem história.

sábado, 19 de novembro de 2011

Jovens finalizam conteúdo do mapa cultural de suas comunidades

O projeto Intercâmbios Juventudearte está chegando à reta final. No  7º encontro, realizado no último sábado, 12 de novembro, os jovens participantes - moradores do Morro da Providência (Centro), Salgueiro (Tijuca) e Cabritos/Tabajaras (Copacabana) – concluíram a elaboração do conteúdo que será apresentado no mapa cultural dessas localidades.


Durante o processo, que teve início em meados de setembro, os jovens levantaram iniciativas culturais e realizaram mais de 60 entrevistas com moradores antigos e com responsáveis pelas ações culturais. Graças às entrevistas, mais pessoas conhecerão o histórico das comunidades e saberão o que motivou o surgimento das atividades culturais, bem como terão acesso às informações para participar delas.

“Muitas senhoras que eu achava que iam ficar assustadas gostaram de ser entrevistadas, se sentiram valorizadas, viram que tem algo novo acontecendo na comunidade”, conta Alexsandro Rocha Azevedo (Lequinho), do Morro dos Cabritos/Tabajaras.

Lequinho - Morro dos Cabritos/Tabajara

Lisane Cristina dos Santos Fernandes, do Salgueiro, tem a mesma impressão. “As pessoas trataram a gente bem, gostaram de ser entrevistadas, quiseram entrar no mapa. Assim, todos vão passar a conhecer essas pessoas e o que fazem”, diz.

Lisinha - Morro do Salgueiro

Uma das entrevistas que mais chamou a atenção de Lequinho foi a que realizou com o casal Dona Landinha, costureira, e seu Di Andrade, músico. “Eles têm uma profissão diferente da que a maioria seguia antigamente. Era mais comum as pessoas trabalharem como feirantes, em serviços domésticos. Saíram do padrão”, explica.

As entrevistas que a moradora da Providência Joice da Silva Almeida realizou, fez com que conhecesse pessoas das quais já havia ouvido falar, mas nunca tinha tido a oportunidade de entrar em contato.

Joice - Morro da Providência

“Eu já tinha escutado do projeto que o seu Nélio desenvolve de percussão na comunidade e do museu que a Dona Dodô da Portela mantém, mas nunca tinha ido e falado com essas pessoas. Gostei muito do processo porque sou tímida e, com as entrevistas, me soltei conversando com as pessoas. Esse é um projeto importante para a comunidade”, ressalta Joice.

As ações culturais apontadas no mapa abrangem bares, festas, festividades, bibliotecas, igrejas, pontos históricos, projetos, entre outros. Além dos depoimentos colhidos pelos jovens e do histórico de cada uma das três comunidades, o mapa trará os principais trajetos que podem ser percorridos pelos visitantes e a opinião dos jovens sobre o processo de criação da publicação. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011






Sejam bem-vindos ao esperado evento Master Crews


Convidamos vocês para encontrarem-se no maior evento de Breaking da América Latina e um dos maiores de culturas urbanas, o evento que está no calendário mundial como uma das referências de dança deste continente. Aqui você encontrará as melhores Crews e as melhores batalhas, as empolgantes Cyphers (rodas), artistas de diversas áreas para intercâmbio, workshops, estandes, muita música, dança e celebração. Esperamos ansiosos o final do ano para comemorarmos nossa existência, encontrar os amigos de outras regiões e interagir nas rodas sem julgamento. Então este é o momento.

Credibilidade é algo que só o tempo e bons trabalhos podem proporcionar. Desde 1997 os eventos desta mesma organização primam por tratar a todos os presentes com respeito. Nossa referência é o testemunho de todos que já foram a nossas realizações e acompanham esta trajetória. Nossa prioridade é promover as culturas urbanas da qual fazemos parte. Queremos que todos tenham orgulho do que são e sintam-se reconhecidos. O local deste ano é grandioso, estrutura tradicional e reflete bem este conceito de qualidade, é um local onde nossa cultura merece estar. Preferimos sempre o bom trato com boa música, estrutura diferenciada, cumprindo todos os compromissos assumidos, inovando e surpreendendo sempre. Espere boas surpresas neste evento que não é nosso, é de todos.

Para mais detalhes: http://www.mastercrews.com.br/

Véu






Afeto
Tudo vem do querer
Nos braços da paixão
Tribulações de castidade
Um toque sedução
Missão de amor

Demonstrei meu calor
Em saciar no véu
O encanto vem pra boca
Os corpos pairam em toques doces
A bailar em sonhos de cristais,
Medos e receios
Se descepam nos desejos,
Valeu se expor
No termômetro dos corpos
A medir os beijos
febril cada vez mais
A vontade tira a roupa
A ponto de sentir céu....
Do qual a paixão nos envolve
No corpo em meio ao véu.


Rodrigo Domenico





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Entrevista: Denise Francisca de Oliveira Santos

O deslocamento de retina que, em um primeiro momento, teria afastado Denise apenas temporariamente do emprego, acabou por fazer com que alterasse definitivamente o rumo que seguia até então. Moradora do Salgueiro, favela na Zona Norte do Rio, ela trabalha para o fortalecimento cultural da comunidade. Entre as iniciativas que desenvolve estão aulas de capoeira e a criação da primeira biblioteca comunitária na localidade. Denise esteve presente no 7º encontro do Projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de novembro, contribuindo para a conclusão do mapeamento cultural do Salgueiro desenvolvido por jovens da comunidade.




O que acha de uma iniciativa de mapeamento de atividades culturais no Salgueiro?

Denise Francisca de Oliveira Santos: É uma boa iniciativa. Ajuda as pessoas que vivem no Salgueiro a conhecer melhor a comunidade e pode incentivar que pessoas de fora visitem a localidade. O mapeamento está muito interessante, focado nas questões da comunidade, sua história, seus pontos turísticos. 

Já soube de iniciativas parecidas com essa?

Denise Francisca: Eu tenho dois mapas do Salgueiro, mas o foco deles são as áreas de risco. É bem diferente, não? Quando há previsão de chuva forte, a Defesa Civil entra em contato comigo para que eu alerte as pessoas que vivem em áreas de risco para que saiam de suas casas e vão para o ponto de apoio, que é a quadra.

Depois de publicado, o que a comunidade poderá fazer para que o mapa seja potencializado?

Denise Francisca: Os jovens envolvidos no projeto levantaram vários pontos. Eu acho que para o Salgueiro entrar na rota de visitação  é necessário mostrar mais a sua história. As pessoas mais antigas têm muitas informações, os jovens podem se inteirar mais, saber mais coisas da comunidade onde vivem. Como explicar os nomes das localidades dentro do Salgueiro? Por que determinada localidade antes era denominada Pedacinho do Céu, por exemplo? O que hoje é o Bar do Cisne, um dos pontos levantados, antigamente era onde a nata do Salgueiro se reunia para compor os sambas. Mostrar a nossa história é muito importante para fortalecer esse mapa.

Você tem um papel importante no fortalecimento da cultura no Salgueiro. Entre as atividades que desenvolve estão aulas de capoeira.

Denise Francisca: Há mais ou menos 10 anos comecei a dar aula de capoeira. Eu dava aula, mas também trabalhava fora, como cobradora de ônibus.  Fui afastada por causa de um deslocamento de retina, que fez com que perdesse uma vista. Nesse período de afastamento, passei a observar mais a comunidade. Um dia, em casa, escutei duas crianças conversando. Uma delas disse que queria ser a polícia, para prender os bandidos. E a outra disse: “Mas é muito melhor ser o bandido”. Pensei que precisava fazer algo para mudar aquela realidade. O meu problema na vista fez com que eu passasse a ver a vida de forma diferente. A partir disso, comecei a montar uma biblioteca comunitária e intensifiquei as aulas de capoeira.

E a biblioteca é muito visitada?

Denise Francisca: Não existia nenhuma biblioteca no Salgueiro. As crianças e adolescentes até 15 anos visitam. Recebemos cerca de 50 visitas ao mês. Temos mais ou menos 2 mil livros, de literatura, ensino fundamental e médio, direito, administração. Os livros vêm através de doações dos moradores, de bibliotecas, do Wal Mart.  Já temos muitos livros do ensino fundamental, mas outras publicações são muito bem vindas.

Mais informações: dedecapoeira@yahoo.com.br.

Entrevista: Nélio de Oliveira

Seu Nélio esteve presente no 7º encontro do projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de outubro. Participou da elaboração de texto histórico do Morro da Providência, Centro do Rio de Janeiro, que será publicado no mapa cultural da localidade desenvolvido por jovens moradores. Ele é uma referência no Morro da Providência por sua atuação em defesa dos direitos da comunidade e pela coordenação do projeto Escola de Percussão da Providência. 



Como o projeto de percussão começou na Providência?

Nélio de Oliveira: Em 2001, eu me aposentei e não queria mais saber de nada. Na semana seguinte, me ligaram da Prefeitura dizendo que queriam que eu tocasse um projeto de percussão na comunidade. Eu me propus apenas a uma experiência de 60 dias e já se passaram 10 anos. Depois de mudanças na Prefeitura, o projeto não teve mais andamento no âmbito governamental e, então, eu passei a tocar por conta própria.

Quem participa do projeto?

Nélio de Oliveira: Crianças a partir dos 5 anos até os 21 anos. Atualmente, temos cerca de 80 inscrições. Isso porque 40 pessoas deixaram de integrar o projeto depois que 60 famílias foram removidas da Ladeira do Farias por conta do Morar Carioca. Ao todo, já passaram 800 alunos pelo projeto. Alguns atuam na área de percussão, como ritmistas, já viajaram para o exterior para trabalhar.

Qual a importância de um projeto como esse?

Nélio de Oliveira: Ocupa os jovens, evita a ociosidade. É uma exigência do projeto que os participantes frequentem a escola. Eu peço para ver boletim escolar. Fico muito atento se as crianças estão faltando às aulas. Nós também nos apresentamos nas escolas, nas festividades.

O que o senhor acha de jovens terem sido convidados a fazer um mapeamento cultural da Providência?

Nélio de Oliveira: É muito bom para esses jovens fazer esse mapeamento. Outras comunidades deveriam criar grupos para fazer um levantamento como esse.  Saber por que residem no morro, quais as primeiras famílias que surgiram. Os jovens têm que conversar com os mais velhos, ter a escola da vida, viver o ambiente onde moram.

O projeto está estimulando que os jovens conversem com pessoas da comunidade para resgatar esse histórico...

Nélio de Oliveira: Eles estão entrando em contato com a história. É preciso saber o passado. Fiquei feliz quando vi meninas envolvidas com o projeto na casa da dona Dodô da Portela [ex-porta-bandeira brasileira]. Então elas disseram: “Também temos que falar com o seu Nélio”. Então eu disse: “Sou eu”. Elas me convidaram para vir aqui hoje.

Gostou do que viu do levantamento dos pontos culturais feito pelos jovens?

Nélio de Oliveira: Sim, os pontos principais são aqueles mesmos. É muito bom também o mapa vir com entrevistas e textos, porque o tempo passa e essas informações acabam sendo esquecidas. É preciso documentar.

Que frentes poderão ser abertas a partir do mapa cultural da Providência?

Nélio de Oliveira: Esse mapa alerta moradores sobre a situação pela qual estamos passando. É um instrumento de luta, pois uma vez que registra o passado da comunidade e como é hoje, alerta para possíveis modificações na comunidade. Faz com que moradores pensem que com algumas obras que estão sendo propostas para a Providência, podemos perder moradores, mudar alguns espaços. 

Imenso e azul








Nesse ceu azul
As nuvens tem formas
semtimentos de paz,
Sereno bem estar
Nos teus desejos
Vivo no seu coração em cada palpitar.

Vem aqui, não tem o que explicar
Olhar diz o que as palavras não pode alcançar.

Nesse mar reflete o azul,
Tão quanto minha saudade,
De momento em momento
Te conquisto

Dizendo casos besteiras
Deixando o querer desaguar
Nesse ceu azul, como seu olhar

Na aurora se retrata
E irradia puros desejos,

O verdadeiro tempo é quando
Seus labios param os ponteiros
Despertando segredos.

A lua tras a brisa noturna
Caindo sobre o os corpos

num universo de prazer
o chão parece ceder

e o ceu azul se envolve com o sol
Em um novo amnhecer...








Rodrigo Domenico



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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Diário de Bordo – 5º dia

Amanda Corrêa e Alessandra Corrêa, Salgueiro


Neste sábado, 22 de outubro de 2011, nosso encontro foi no Lajão [Morro do Cabritos /Tabajaras]. Chegamos lá e cada um respondeu três perguntas: Para que serve o mapa para você? O que você está achando do projeto? Qual a importância do mapa na comunidade?

Em roda, dançamos a dança de acordar o guerreiro (Bolojo), depois comentamos o texto do Eron da Providência. Eu relato que, por mais que tenha policial na comunidade, o tráfico continua.

Depois fizemos caminhada na comunidade sem usar o zoom. E aí, ficaram terminando o mapa, a Aila e a Tatiane. Enquanto isso, o restante do grupo está tirando fotos. 




Fotos: Ratão Diniz e Edmilson Lima

Depois de cada um dos encontros do projeto Intercâmbios JuventudeArte, uns dos jovens participantes fica com a tarefa de escrever em um diário as suas impressões sobre as atividades das quais participou, a vivência com o grupo, entre outras possibilidades. Confira!

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Olhares sobre o Salgueiro

A última caminhada com registro fotográfico do projeto Intercâmbios Juventudearte foi realizada no Salgueiro, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, no último sábado, 29 de outubro. Dessa vez, os jovens da Providência, no Centro, e do Morro dos Cabritos/Tabajaras, em Copacabana, foram guiados por seus parceiros do Salgueiro.



“Aqui não vem pessoas de outras comunidades. É legal eles estarem aqui porque a gente já conheceu a comunidade deles e agora eles vão conhecer a nossa”, alegra-se Amanda Corrêa Muniz, do Salgueiro.

Orientados pelo Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), todos tinham uma importante tarefa: fazer retratos de pessoas da comunidade. “Qual a história do Salgueiro a partir das pessoas que vivem nessa localidade?”, desafia Luiz Carlos Lima, do Cecip.

“Foi legal a caminhada, as pessoas da comunidade queriam ser fotografadas, se sentiram importantes”, avalia Leimar Correia, do Salgueiro.

A caminhada anterior foi realizada no Morro dos Cabritos/Tabajaras. “Achei legal mostrar as coisas boas da minha comunidade. Eu guiei duas meninas e elas pediram para ir no alto do morro, para ver a vista”, lembra Ludimila Raquel de Oliveira, do Tabajaras.

Ter conhecido o mirante do Tabajaras chamou a atenção de Amanda. “Eles vão no mirante só para ver a vista. Aqui no Salgueiro tem a Divisa, mas é mais um espaço de passagem para ir para outro morro, o Turano. A gente não fica indo para ver a vista”, compara.

Muitos dos jovens se mostraram entusiasmados com a proposta de atividade com fotografia no projeto Intercâmbios Juventudearte. Segundo alguns dos entrevistados, a fotografia é um importante meio para fortalecer o mapa cultural que estão criando de suas comunidades.



“A gente tira fotos do que a gente vê para que outras pessoas também possam ver”, diz Amanda. E Ludimila acredita que a fotografia ajuda quem está fotografando a ver melhor. “A foto mostra para nós mesmos o que às vezes não vemos direito”, avalia.





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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entrevista: Pedro Jorge Olímpio de Souza

Seu Pedro é morador do Salgueiro há 53 anos, ou seja, toda a sua vida. Seu bar, o Cantinho do Papai, é um dos pontos que estará presente no mapa cultural dessa comunidade, localizada na Tijuca, Zona Norte do Rio. O estabelecimento, herdado dos pais, tem história na favela. Segundo ele, os avós dos jovens do Salgueiro que participam do Projeto Intercâmbios Juventudearte já frequentavam o lugar, o único que oferecia um “bailezinho”.




Como vê a iniciativa de criação de um mapa cultural da comunidade do Salgueiro?

Pedro Jorge Olímpio de Souza: Acho legal, muito bom. Eu sou antigo aqui, então conheço muita coisa. Os jovens pensam que sabem, mas não conhecem. Tomara que leiam esse mapa e incentivem as crianças e pré-adolescentes a conhecerem mais a comunidade.

E o projeto estimula também o intercâmbio entre jovens de diferentes comunidades. Além do Salgueiro, existem jovens da Providência, no Centro, e do Morro dos Cabritos/Tabajaras, em Copacabana.

Pedro Jorge: Os jovens do Salgueiro precisam conhecer pessoas de outras comunidades, interagir, bater papo, conhecer outros espaços. Esse trabalho que esses jovens estão fazendo é muito bonito. Eles estão fazendo algo pela comunidade, interagindo. Isso tem que continuar. Eu desejo que, a partir disso, outras coisas ocorram. Eles têm que aproveitar essa oportunidade de estar em grupo para realizar iniciativas.

O que acha do seu bar estar sendo apontado como um dos pontos culturais do Salgueiro?

Pedro Jorge: Ótimo! Vejo como algo muito positivo para o meu estabelecimento. Amanhã ou depois eu posso fazer algo mais sofisticado, colocar na Internet, no Orkut. O meu bar era da minha mãe. Os avós desses jovens que participam do projeto já frequentavam. Sempre foi um ponto de encontro. Era o único que tinha um bailezinho.

Acredita que a participação de jovens de comunidades em um projeto como esse provocará transformação na visão que têm do local onde vivem?

Pedro Jorge: Sim, transforma. Tem muitos aqui que não conheciam a história do Salgueiro. Hoje estão sabendo através de conversas com pessoas mais velhas para o projeto. Eles estão abrindo a mente.

Existem muitas ações culturais no Salgueiro?

Pedro Jorge: Tem o bloco Raízes, que existe há mais de 16 anos. Com o mapa, as pessoas de fora poderão chegar. Tem o Caxambu, que foi trazido para o Salgueiro pelo meu pai. Minha avó, que foi filha de escravos, falava muito da roda de Caxambu. Quando o meu pai faleceu, parou. Há mais ou menos 10 anos, o Caxambu voltou para a comunidade, através do Rogerinho do Salgueiro. Muitas das senhoras que participavam na época do meu pai voltaram a dançar. E há jovens também. O Caxambu costuma acontecer na quadra do bloco Raízes, quando há algum evento. 


Foto: Ratão Diniz

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Entrevista: Cabbet Araújo

O produtor Cabbet Araújo tem um importante papel de articulação cultural no Morro dos Cabritos/Tabajaras, em Copacabana. Em parceria com moradores da comunidade, criou o Círculo Cultural Abraço da Paz, evento que prevê a realização de atividades de arte e cultura na Ladeira dos Tabajaras e seu entorno. Além disso, está recuperando um prédio abandonado da comunidade, o Lajão, para torná-lo um espaço cultural permanente na favela. Vale a pena conferir as suas impressões sobre o projeto Intercâmbios Juventudearte.


Como vê um projeto de mapeamento de iniciativas culturais em uma comunidade como o Cabritos/Tabajaras?

É muito importante, principalmente por dar oportunidade de os jovens da própria comunidade participarem. O resultado final vai refletir o que eles mesmos vêm apresentando no decorrer do processo de criação do mapa. É um incentivo maravilhoso.

De que forma um mapeamento como esse poderá promover transformações na vida dos jovens envolvidos?

Esse projeto mexe muito com a auto-estima da comunidade. Eles estão falando com o avô de fulano, o diretor da escola, o dono do bar... É um trabalho feito por esses jovens que vai circular em várias esferas.  A comunidade está passando por um momento de possibilidades. Os jovens precisam se antenar de que esse momento tem que ser abraçado por eles. Esse projeto incentiva que os jovens tenham vontade de participar de projetos futuros.

E como vê a proposta de interação entre jovens de diferentes comunidades?

Eu tenho conversado com os jovens do Cabritos/Tabajaras envolvidos no projeto e eles estão gostando muito. Falaram das novas amizades que estão fazendo e de possíveis intercâmbios de experiências culturais nesses territórios.


Você é um importante articulador de iniciativas culturais no Cabritos/Tabajaras. Como surgiu a possibilidade de viabilizar um espaço como o Lajão?

Nós apresentamos e tivemos 10 projetos aprovados em edital do Pronasci - Microprojetos Mais Cultura. Em vez de pagarmos aluguel para viabilizar esses projetos, tiramos 500 reais de cada um para investir na reforma de um espaço dentro da comunidade, que é o Lajão.

São as pessoas da comunidade que estão se unindo para tornar esse espaço possível. Estamos conseguindo também a adesão de empresários, que visitaram e gostaram do lugar.

Nesse último encontro do projeto, os jovens da comunidade fizeram questão que fosse realizado no Lajão. Eles querem afirmar o espaço, trazer os parceiros. O Lajão é o nosso ponto, o nosso lugar de atividades.


Além de seu envolvimento com a iniciativa de tocar esse grande projeto que é o Lajão, que outras iniciativas toca na comunidade?

Tem o Abraço da Paz, que é uma iniciativa mais agressiva, pontual, de incursão cultural na comunidade. Começou em 2009, depois do massacre que houve no Tabajaras. Desde então, não consegui mais parar de fazer.
Existem muitas ações culturais no Cabritos/Tabajaras?

Acho que ainda existem poucas ações culturais. A UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] não pode ser só uma polícia na favela. A UPP já está há dois anos no Tabajaras e a melhoria dos acessos à favela ainda não foi feita. Quando esses acessos forem facilitados, acho que ocorrerão muito mais iniciativas culturais. É preciso que os acessos sejam mais convidativos. A vida toda a favela foi vista como lugar de bandido. Favela não é lugar de bandido, isso não é verdade. Bandido tem em todo o lugar. Foi o estado que nos proporcionou essa visão.

Fotos: Divulgação.