quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Entrevista: Nélio de Oliveira

Seu Nélio esteve presente no 7º encontro do projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de outubro. Participou da elaboração de texto histórico do Morro da Providência, Centro do Rio de Janeiro, que será publicado no mapa cultural da localidade desenvolvido por jovens moradores. Ele é uma referência no Morro da Providência por sua atuação em defesa dos direitos da comunidade e pela coordenação do projeto Escola de Percussão da Providência. 



Como o projeto de percussão começou na Providência?

Nélio de Oliveira: Em 2001, eu me aposentei e não queria mais saber de nada. Na semana seguinte, me ligaram da Prefeitura dizendo que queriam que eu tocasse um projeto de percussão na comunidade. Eu me propus apenas a uma experiência de 60 dias e já se passaram 10 anos. Depois de mudanças na Prefeitura, o projeto não teve mais andamento no âmbito governamental e, então, eu passei a tocar por conta própria.

Quem participa do projeto?

Nélio de Oliveira: Crianças a partir dos 5 anos até os 21 anos. Atualmente, temos cerca de 80 inscrições. Isso porque 40 pessoas deixaram de integrar o projeto depois que 60 famílias foram removidas da Ladeira do Farias por conta do Morar Carioca. Ao todo, já passaram 800 alunos pelo projeto. Alguns atuam na área de percussão, como ritmistas, já viajaram para o exterior para trabalhar.

Qual a importância de um projeto como esse?

Nélio de Oliveira: Ocupa os jovens, evita a ociosidade. É uma exigência do projeto que os participantes frequentem a escola. Eu peço para ver boletim escolar. Fico muito atento se as crianças estão faltando às aulas. Nós também nos apresentamos nas escolas, nas festividades.

O que o senhor acha de jovens terem sido convidados a fazer um mapeamento cultural da Providência?

Nélio de Oliveira: É muito bom para esses jovens fazer esse mapeamento. Outras comunidades deveriam criar grupos para fazer um levantamento como esse.  Saber por que residem no morro, quais as primeiras famílias que surgiram. Os jovens têm que conversar com os mais velhos, ter a escola da vida, viver o ambiente onde moram.

O projeto está estimulando que os jovens conversem com pessoas da comunidade para resgatar esse histórico...

Nélio de Oliveira: Eles estão entrando em contato com a história. É preciso saber o passado. Fiquei feliz quando vi meninas envolvidas com o projeto na casa da dona Dodô da Portela [ex-porta-bandeira brasileira]. Então elas disseram: “Também temos que falar com o seu Nélio”. Então eu disse: “Sou eu”. Elas me convidaram para vir aqui hoje.

Gostou do que viu do levantamento dos pontos culturais feito pelos jovens?

Nélio de Oliveira: Sim, os pontos principais são aqueles mesmos. É muito bom também o mapa vir com entrevistas e textos, porque o tempo passa e essas informações acabam sendo esquecidas. É preciso documentar.

Que frentes poderão ser abertas a partir do mapa cultural da Providência?

Nélio de Oliveira: Esse mapa alerta moradores sobre a situação pela qual estamos passando. É um instrumento de luta, pois uma vez que registra o passado da comunidade e como é hoje, alerta para possíveis modificações na comunidade. Faz com que moradores pensem que com algumas obras que estão sendo propostas para a Providência, podemos perder moradores, mudar alguns espaços. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário