Reportagem feita pelo Jornal Futura sobre o projeto Intercâmbios JuventudeArte, onde foram mapeadas três comunidades do Rio de Janeiro: Providência, Salgueiro e Cabritos/Tabajaras.
O projeto Intercâmbios JuventudeArte é uma ação do programa Juventude Transformando com Arte idealizado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e patrocinado pela Light e pelo Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, através da lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Entre os parceiros da iniciativa estão: Instituto de Arte Tear, Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre Infância (Ciespi/PUC-Rio) e Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), além da participação especial da Ação Educativa, de São Paulo.
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domingo, 29 de abril de 2012
REPORTAGEM SOBRE MAPEAMENTO CULTURAL
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Os guias Caminhos da Cultura nos morros do Cabritos/ Tabajaras, Salgueiro e Providência já estão disponíveis! É só baixar!
Para quem não acompanhou os lançamentos dos guias Caminhos da Cultura nos morros do Cabritos/Tabajaras, Salgueiro e Providência, agora tem a chance de conhecer os pontos culturais das três comunidades. Para isso, basta baixar o seu exemplar aqui ou através do site: http://www.juventudearte.org.br/espaco-de-reflexao/espaco-de-reflexao/
E se quiser saber mais a respeito do conteúdo do guia, é só entrar em contato com o grupo de jovens autores do mapa.
Venha conhecer as comunidades do Cabritos/Tabajaras, Salgueiro e Providência! Você vai gostar de conhecer suas histórias e tradições!
E se quiser saber mais a respeito do conteúdo do guia, é só entrar em contato com o grupo de jovens autores do mapa.
Venha conhecer as comunidades do Cabritos/Tabajaras, Salgueiro e Providência! Você vai gostar de conhecer suas histórias e tradições!
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Lançamentos dos guias Caminhos da Cultura nos morros do Cabritos/Tabajaras, Salgueiro e Providência reúnem moradores em caminhadas e acabam em festa!
A chuva não impediu que os jovens reunissem os moradores dos morros dos Cabritos/Tabajaras, Salgueiro e Providência para o lançamento dos Guias Caminhos da Cultura de cada uma das comunidades.
Moradores e visitantes foram convidados a fazer uma caminhada para conhecer alguns dos pontos mapeados. Além de receber o guia, cada morador visitado sinalizou o seu local com um adesivo, indicando estar no mapa.
Os três eventos foram totalmente idealizados e organizados pelos jovens aurtores dos mapas e contaram com o apoio de comerciantes e moradores das comunidades.
O primeiro evento aconteceu na sexta-feira, 27 de janeiro, no morro dos Cabritos/Tabajaras. O ponto de encontro foi o Lajão Esportivo Cultural, local onde acontecem festas e projetos culturais da comunidade. Dali, os jovens iniciaram a caminhada a alguns dos pontos do entorno, convidando moradores a se juntar ao grupo e retornar ao Lajão, para assistir a uma apresentação sobre o processo de confecção do guia. A noite acabou num baile, reunindo todos, moradores e convidados.
Sábado foi a vez do Salgueiro onde música e dança animaram a tarde. Na Quadra do Campo foram expostos os mapas elaborados pelos jovens e fotos do processo. Os participantes contaram como foi construir o mapa e chamaram os colegas do Tabajaras que prestigiavam o evento para também dar seu depoimento. A festa ficou por conta do DJ Tchu Flynn, MC Digão e passistas mirins do bloco Raízes da Tijuca. No final todos desceram em cortejo visitando alguns pontos mapeados que foram sinalizados com o adesivo "estou no mapa Caminhos da Cultura do morro do Salgueiro".
O domingo de fortes chuvas não abalou a vontade dos jovens da Providência de apresentarem o guia cultural para a comunidade. A festa contou com a alegria das crianças e jovens do projeto de capoeira do Eron, importante figura da comunidade e integrante do mapa. Os jovens organizaram ainda um espaço de reflexão sobre o momento especial pelo qual passa a comunidade, onde um número significativo de residências estão sendo desapropriadas.
O projeto Intercâmbios JuventudeArte é uma ação do Programa Juventude Transformando com Arte, idealizado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e patrocinado pela Light e pelo Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Além do Instituto de Arte Tear, foram parceiros do projeto o Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi/PUC-Rio), Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip) e UPPSocial, além da participação especial da Ação Educativa, de São Paulo.
Fotos: Ratão Diniz
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
RESULTADO DO EDITAL DA 4ª. MOSTRA BRASIL
O Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) tem o prazer de publicar o resultado da seleção pública de grupos para a programação da 4ª. Mostra Brasil, aberto pela primeira vez nesta edição.
Comemoramos as 92 inscrições de grupos oriundos de todas as regiões do país: 5 da região Norte, 34 da Nordeste, 3 da Centro-Oeste, 41 da Sudeste e 9 da Sul.
Os grupos selecionados serão contatados pela organização da 4ª. Mostra Brasil para prosseguimento do processo de participação no evento.
Agradecemos a todos pelo interesse e esperamos contar com a sua participação nas próximas edições da Mostra Brasil.
Confira no site!
A programação completa da 4a Mostra Brasil será publicada em breve. Fique ligado!
Comemoramos as 92 inscrições de grupos oriundos de todas as regiões do país: 5 da região Norte, 34 da Nordeste, 3 da Centro-Oeste, 41 da Sudeste e 9 da Sul.
Os grupos selecionados serão contatados pela organização da 4ª. Mostra Brasil para prosseguimento do processo de participação no evento.
Agradecemos a todos pelo interesse e esperamos contar com a sua participação nas próximas edições da Mostra Brasil.
Confira no site!
A programação completa da 4a Mostra Brasil será publicada em breve. Fique ligado!
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Os guias Caminhos da Cultura de três favelas do Rio de Janeiro serão lançados nas comunidades nos dias 27, 28 e 29 de janeiro
Jovens moradores dos morros dos Cabritos/Tabajaras (Copacabana), da Providência (Centro) e do Salgueiro (Tijuca) fazem o lançamento dos guias Caminhos da Cultura em suas comunidades. No lançamento, os moradores e visitantes terão a oportunidade de percorrer alguns pontos dos circuitos existentes no guia e conversar com antigos moradores, grandes conhecedores da história local e fomentadores de iniciativas.
Cada um dos guias expressa o olhar de um grupo específico de jovens sobre suas comunidades, responsáveis também pelo planejamento e organização do evento de lançamento. “Foi muito significativo ver, ao final do projeto Intercâmbios Juventudearte, como os jovens se apropriaram do resultado expresso no mapa cultural e começaram a vislumbrar ações a serem empreendidas a partir dele”, avalia Angela
Nogueira, do Centro de Estudos de Políticas Públicas, uma das coordenadoras do projeto.
Durante o mês de janeiro os jovens se reuniram para organizar os lançamentos em suas comunidades. Para isso contaram com o apoio de profissionais do Instituto de Arte Tear, parceiro da iniciativa. Os jovens foram mobilizados a pensar os sentidos e significados do lançamento, definindo coletivamente a programação e atuando na organização do evento que conta com a articulação de outros atores das próprias
comunidades.
A programação nas três comunidades inclui além de caminhadas por alguns dos pontos mapeados, apresentações do projeto pelos jovens, apresentações culturais e debates. Confira a seguir!
- TABAJARAS

Sexta-feira, 27 de janeiro, de 18h às 21h
Local: Lajão Esportivo Cultural
Caminhada pelos pontos do mapa: ponto de encontro às 19h no Lajão.
A caminhada incluirá pontos de vários circuitos próximos ao local.
Como chegar: subir a escada do número 508 da rua Euclides da Rocha, em frente à Associação de Moradores.
- SALGUEIRO
Sábado, 28 de janeiro, de 16h às 19h
Local: Quadra do Campo
Caminhada pelos pontos do mapa: ponto de encontro às18h na Quadra do Campo.
A caminhada incluirá pontos mapeados do circuito de Música e Dança, acompanhada pelo Bloco Raízes da Tijuca.
Como chegar: subir pela rua General Roca até o final onde se vê uma placa escrito“UPP Salgueiro”. Seguir em frente pela Rua Francisco Graça, passar pela Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias e virar à esquerda. Subir até o final da rua, passando pelo Bar da Dona Zilda, chegando então na Quadra do Campo.
- PROVIDÊNCIA
Domingo, 29 de janeiro, de 15h às 18h
Local: Cruzeiro
Caminhada pelos pontos do mapa: ponto de encontro às 17h no Cruzeiro.
A caminhada incluirá pontos de vários circuitos situados no alto do morro.
Como chegar: pegar a Kombi na rua Senador Pompeu, próximo à Central do Brasil, até a Praça Américo Brum. A partir daí, subir o Escadão do Largo até o alto do morro.
O projeto Intercâmbios JuventudeArte é uma ação do Programa Juventude Transformando com Arte, idealizado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e patrocinado pela Light e pelo Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Além do Instituto de Arte Tear, foram parceiros do projeto o Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi/PUC-Rio), Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip) e UPPSocial, além da participação especial da Ação Educativa, de São Paulo.
Cada um dos guias expressa o olhar de um grupo específico de jovens sobre suas comunidades, responsáveis também pelo planejamento e organização do evento de lançamento. “Foi muito significativo ver, ao final do projeto Intercâmbios Juventudearte, como os jovens se apropriaram do resultado expresso no mapa cultural e começaram a vislumbrar ações a serem empreendidas a partir dele”, avalia Angela
Nogueira, do Centro de Estudos de Políticas Públicas, uma das coordenadoras do projeto.
Durante o mês de janeiro os jovens se reuniram para organizar os lançamentos em suas comunidades. Para isso contaram com o apoio de profissionais do Instituto de Arte Tear, parceiro da iniciativa. Os jovens foram mobilizados a pensar os sentidos e significados do lançamento, definindo coletivamente a programação e atuando na organização do evento que conta com a articulação de outros atores das próprias
comunidades.
A programação nas três comunidades inclui além de caminhadas por alguns dos pontos mapeados, apresentações do projeto pelos jovens, apresentações culturais e debates. Confira a seguir!
- TABAJARAS

Sexta-feira, 27 de janeiro, de 18h às 21h
Local: Lajão Esportivo Cultural
Caminhada pelos pontos do mapa: ponto de encontro às 19h no Lajão.
A caminhada incluirá pontos de vários circuitos próximos ao local.
Como chegar: subir a escada do número 508 da rua Euclides da Rocha, em frente à Associação de Moradores.
- SALGUEIRO
Sábado, 28 de janeiro, de 16h às 19h
Local: Quadra do Campo
Caminhada pelos pontos do mapa: ponto de encontro às18h na Quadra do Campo.
A caminhada incluirá pontos mapeados do circuito de Música e Dança, acompanhada pelo Bloco Raízes da Tijuca.
Como chegar: subir pela rua General Roca até o final onde se vê uma placa escrito“UPP Salgueiro”. Seguir em frente pela Rua Francisco Graça, passar pela Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias e virar à esquerda. Subir até o final da rua, passando pelo Bar da Dona Zilda, chegando então na Quadra do Campo.
- PROVIDÊNCIA
Domingo, 29 de janeiro, de 15h às 18h
Local: Cruzeiro
Caminhada pelos pontos do mapa: ponto de encontro às 17h no Cruzeiro.
A caminhada incluirá pontos de vários circuitos situados no alto do morro.
Como chegar: pegar a Kombi na rua Senador Pompeu, próximo à Central do Brasil, até a Praça Américo Brum. A partir daí, subir o Escadão do Largo até o alto do morro.
O projeto Intercâmbios JuventudeArte é uma ação do Programa Juventude Transformando com Arte, idealizado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e patrocinado pela Light e pelo Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Além do Instituto de Arte Tear, foram parceiros do projeto o Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi/PUC-Rio), Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip) e UPPSocial, além da participação especial da Ação Educativa, de São Paulo.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Jovens criadores dos mapas falam sobre sua experiência
Tarde chuvosa de dezembro... o sol brilhava nos olhos dos jovens moradores do Cabritos/Tabajaras, Providência e Salgueiro, participantes do projeto Intercâmbios Juventudearte.
Felizes, olhavam o produto de sua criação: os mapas culturais de suas comunidades.
No palco do teatro do Centro Cultural da Light os jovens falaram sobre o processo de construção do mapa, das dificuldades experimentadas e da satisfação de deixarem registradas as diversas culturas lá existentes.
Mas o trabalho não acabou! Agora é a hora de organizar os lançamentos dos mapas em cada comunidade, tarefa à qual esses jovens vão se dedicar durante o mês de janeiro.
Acompanhem aqui as datas dos lançamentos!
Fotos: Ratão Diniz
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Reportagem sobre o projeto Intercâmbios JuventudeArte no morro do Salgueiro
Jovens participantes do projeto Intercâmbios JuventudeArte, autores do mapa cultural do Morro do Salgueiro, falam sobre os pontos culturais de sua comunidade.
Confira no link abaixo:
Confira no link abaixo:
Reportagem: Tabajaras ganha mapa cultural para visitantes
Foto: Ratão Diniz
http://oglobo.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/selecaooglobo/1734668
Saiba mais sobre o lançamento dos mapas culturais aqui
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Diário de Bordo - 9° dia
Rio, 10 de dezembro de 2011 – 9º. encontro
SALGUEIRO
É NÓS!
- O que mais gostou?
- O que não gostou?
- O que faria diferente?
- O que pode ser feito a partir do mapa na comunidade!
Depois fomos na padaria do Julio comprar pão com mortadela (Erica, Camila e Pati).
Fizemos uma roda e organizamos os detalhes do evento, festa de lançamento do mapa nas comunidades é no dia 15/12 na Light.
Em seguida tivemos a visita dos “paulistas”.
MIJIBA – jovem negra revolucionária que apresentou a agenda cultural da periferia de São Paulo.
Eleilson que falou sobre os vários tipos de guias de São Paulo e vários projetos que ele criou lá em São Paulo.
Mijiba terminou a conversa com uma bela poesia sobre o racismo chamada “Sou seu HIV”.
Eles vieram aqui pra nos incentivar a continuar o projeto, as ações...
Relembrando que quando planejamos os eventos de lançamento dos mapas listamos pra que? Por que? Pra quem? Onde? Quando? Como? Com que recursos?Quem faz o que?
Combinados finais:
- PRESENÇA DE TODOS NO DIA 15, NA LIGHT, ÀS 16:30 levando amigos, familiares e mapeados.
- Realização do lançamento do mapa na comunidade.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Futuros possíveis desdobramentos para mapa cultural de comunidades do Rio
A Agenda Cultural da Periferia é uma publicação mensal idealizada pela organização não governamental Ação Educativa. A iniciativa surgiu há um pouco menos de cinco anos para preencher uma lacuna – a falta de divulgação pelos grandes meios de comunicação de iniciativas culturais que ocorrem na periferia de São Paulo. Guias culturais de grandes jornais como a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo acabam por fornecer informações que privilegiam atividades e grupos que se apresentam na parte mais abastada da cidade. A editora da Agenda, Elizandra Souza, e o coordenador editorial da publicação, Eleilson Leite, estiveram presentes no último encontro do Projeto Intercâmbios Juventude Arte, realizado no último sábado, 10 de dezembro, para dialogar com os jovens participantes do projeto sobre como o mapeamento cultural das comunidades dos Cabritos/Tabajaras (Copacabana), Providência (Centro) e Salgueiro (Tijuca) que realizaram pode se desdobrar em outras ações.
Como surgiu a ideia de criar a Agenda Cultural da Periferia?
Antônio Eleilson Leite: Desde 2005 eu tinha vontade de mostrar o que a periferia faz em termos de arte e cultura, porque os principais guias culturais de São Paulo não divulgam essas informações. Até hoje esses guias não mostram as ações da periferia. Então, recebemos patrocínio para fazer um mapeamento de ações culturais na periferia de São Paulo. No final do processo, em vez de publicar um mapa cultural, optamos por criar e publicar três edições da Agenda Cultural da Periferia. Inicialmente, tínhamos recursos apenas para essas três edições, mas nunca mais paramos de fazer, até os dias de hoje. As primeiras edições contaram com cerca de 40 eventos divulgados. Quatro, cinco meses depois havia 80 eventos.
Qual a importância de uma iniciativa como essa?
Antônio Eleilson Leite: Mostrar que a cidade é muito mais do que o centro expandido. Alargar o sentido de cidade. O último guia da Folha de São Paulo divulga 220 peças de teatro. Não há sequer divulgação de peça em São Bernardo do Campo, que é o 10º orçamento da União. A visão do circuito cultural é muito estreita.
Quais têm sido os principais frutos desse trabalho?
Elizandra Batista de Souza: O registro das atividades que ocorrem na periferia tem promovido troca entre os grupos. A publicação tem sido fomentadora de redes. Outra coisa que tem ocorrido é o aumento de interesse por divulgar atividades na Agenda. Não damos conta de divulgar tudo o que aparece. Muitas das atividades que não conseguimos publicar na Agenda da Periferia impressa vão para o site. Fora isso, estamos divulgando a Agenda por web TV, no portal Catraca Livre, e pela rádio web de Heliópolis, uma das maiores favelas com 140 mil habitantes.
Antônio Eleilson Leite: A Agenda da Periferia tem servido como portfólio para muitos dos grupos que são divulgados por ela. Existe um edital chamado VAI – Valorização de Iniciativas Culturais da Secretaria Municipal de São Paulo, voltado para grupos de juventude de periferia e muitos que concorrem a esse edital anexam a Agenda.
A Agenda circula mais entre pessoas da própria periferia ou outros públicos também têm acesso?
Elizandra Batista de Souza: O foco principal é a periferia. A maior parte da tiragem é distribuída nos próprios eventos que divulga. 8 mil exemplares vão para a periferia e 2 mil para o Centro de São Paulo, em locais onde grupos de periferia estão se apresentando. Há uma seção na publicação chamada A Periferia no Centro.
Antônio Eleilson Leite: Hoje temos uma tiragem de 10 mil exemplares, se tivéssemos 30 mil, distribuiríamos tudo. Existem 55 bibliotecas públicas. Distribuímos apenas em 10 localizadas mais na rota da periferia, por conta da tiragem. E existem 44 Centros de Educação Unificada na periferia, o CEU. Não temos atualmente como distribuir para todos.
E depois que a Agenda começou a ser publicada, os grandes meios de comunicação passaram a divulgar mais iniciativas da periferia?
Antônio Eleilson Leite: A mídia toma conhecimento de tudo o que está ocorrendo. O que ocorre é, quando aparece muita ocorrência de sarau ou roda de samba na Agenda, vemos a publicação de uma matéria sobre o assunto na mídia. Mas não há divulgação de um evento específico.
Quais os desafios futuros para a Agenda Cultural da Periferia?
Elizandra Batista de Souza: A expansão. Aumentar o número de páginas, a equipe. Poder incluir matérias. Transformar a agenda em uma revista. Tem muito a fazer ainda. Poderíamos divulgar Hardcore. Tem bastante rock de periferia. Eles nunca procuraram a gente e a limitação de equipe impede que a gente vá buscar informações nessa área. O mesmo ocorre com o Forró, o Funk. Tem para onde expandir ainda mais. E também temos consciência que a periferia é muito diversificada, é um prisma cultural que queremos atingir, mas é desafiador.
Mais informações:
Diário de Bordo - 8° dia
Lizinha, Salgueiro
Foto: Edmilson de Lima
Sábado dia 26.11.2011
Chegamos ao curso falamos uns com os outros e fomos tomar café e depois voltamos de novo a falar do mapa da nossa comunidade. Para facilitar fomos para sala de computação, lá ajeitamos o que estava faltando e o que estava certo e o que estava errado para acabarmos com o nosso mapa. Depois uma pausa. Chegou a hora mais legal: hora da comida. Nossa, a comida estava uma delícia. Depois que acabamos de comer voltamos para a sala de computação e sim, demos fim ao mapa da nossa comunidade.
Acabamos que bom. Só em saber que acabamos e que o mapa que fizemos vai estar na nossa comunidade. Que bom, assim as próprias pessoas que moram na nossa comunidade conhecem um pouco mais o que tem de bom e de interessante na nossa comunidade. Nem todo mundo que mora nela conhece tudo o que tem de bom, assim as pessoas passam a conhecer melhor. Foi muito bom trabalhar com o mapa, mas foi um pouco cansativo mas foi maneiro.
Depois chegou uma visita muito importante para a gente: a mulher que trabalha na Light. Conversamos com ela, falamos com ela da importância da luz na nossa comunidade e o que pode e o que não pode e o que gasta muita luz. Depois acabamos de conversar com ela, nos despedimos de todos e das professoras e voltamos a nossa comunidade. Mas que pena, esse curso foi um dos últimos, o curso já está para acabar. Que pena, vamos sentir muitas saudades uns dos outros. Logo agora que o curso estava começando a ficar interessante vai acabar, mas foi bom fazer novas amizades e conhecer culturas diferentes.
Um beijo. Vou sentir muitas saudades de tudo e de todos!
Ass: Lizinha :)
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Diário de Bordo - 7° dia
Joice da Silva Almeida, Providência
Foto: Edmilson de Lima
Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2011.
Enfim conhecemos o Salgueiro, mas como não era de se estranhar o nosso 6º encontro começou atrasado. Rsrsrs.
A nossa primeira atividade do dia foi a apresentação do mapa que fizemos no encontro passado. Que foram as pontes de referência que fomos identificando no mapa, em cima disso podemos daí discutirmos, tirarmos nossas dúvidas e acrescentarmos algo mais que achamos de importante pra entrar no nosso mapa.
O segundo momento foi o que todos esperávamos o paparote (comida). Durante o intervalo que fizemos teve o momento pop star foi a hora que fizemos várias poses para sermos fotografadas pelos fotógrafos Ratão, poxa agora fugiu o nome do outro fotógrafo da minha cabeça.
Mas gostamos muito de termos tido a presença deles nos nossos encontros. Estas fotos que tiramos vão fazer parte do nosso mapa.
Foto: Edmilson de Lima
Terceiro passo foi vermos algumas fotos que foram levadas pelos nossos colegas, comentamos cada foto que vimos. Depois formamos grupos e cada grupo saiu dali com uma máquina fotográfica e fomos retratar alguns moradores da comunidade. Grande parte das pessoas que foram fotografadas fazem ou fizeram parte da história da comunidade do Salgueiro e vão fazer parte do mapa do Salgueiro também.
Enfim chegamos ao final de mais um encontro, comentamos as fotos que tiramos dos moradores. Os moradores do Salgueiro são muito simpáticos pois não tivemos nenhum problema em fotografarmos.
Obs: a cada sábado que se passa nos entrosamos cada vez mais, e fazemos mais amizade entre as comunidades e isto está sendo muito legal para todos. Tô gostando muito de ter conhecido todos vocês e de tá fazendo parte desse projeto. Um grande beijo para todos e que todos fiquem com Deus!
Ass: Joice Providência
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Diário de Bordo - 6° dia
Hudson da Silva Costa, Cabritos/Tabajaras
Foto: Ratão Diniz
Comunidade Tabajara!!
Centro Cultural Ação da Cidadania.
É mais um dia de batalha.
Finalmente conseguimos alcançar e completar a nossa missão.
Hoje caminhamos um bom pedaço do caminho, mas ainda faltam alguns mínimos detalhes.
O pior já passou, mas o dia não começou muito bom.
Eu estava com uma ressaca braba quase não consegui fazer nada. Só depois que a tia Cristina me deu um remédio que eu fiquei mais ou menos bom.Só na hora do almoço que eu melhorei mesmo.
Mas voltando para o mapa, depois do almoço fizemos uma brincadeira maneira. Mas não demorou nada e já começamos a trabalhar de novo.
É, mas apesar de tanto esforço, no final todos saíram rindo com o seu dinheirinho no bolso. (RSRSRS).
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Mapa cultural de três favelas do Rio será lançado em 15 de dezembro
Jovens moradores dos morros dos Cabritos/Tabajaras (Copacabana), da Providência (Centro) e do Salgueiro (Tijuca) concluem guia cultural de suas comunidades, que será lançado no dia 15 de dezembro, no Centro Cultural da Light, Av. Marechal Floriano, 168, Centro do Rio de Janeiro, a partir das 17h.
Cada mapa apresenta opções de circuitos que podem ser percorridos pelas pessoas interessadas. As publicações divulgam ainda o histórico das comunidades, além de informações sobre cada um dos 100 pontos culturais listados que incluem artistas locais, pontos históricos e de encontro, projetos educacionais, culturais ou esportivos empreendidos por moradores, trilhas ecológicas e locais de onde se têm vista da cidade. O guia também divulga o contato de antigos moradores, grandes conhecedores da história local e fomentadores de iniciativas.
O projeto Intercâmbios Juventude Arte é uma ação do programa Juventude Transformando com Arte, idealizado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e patrocinado pela Light e pelo Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Entre os parceiros da iniciativa estão: Instituto de Arte Tear, Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi/PUC-Rio) e Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), além da participação especial da Ação Educativa, de São Paulo.
Jovens falam sobre criação de mapa cultural de comunidades
Jovens integrantes do projeto Intercâmbios Juventude Arte escrevem sobre o processo de criação de mapa cultural de suas comunidades. Por meio desses depoimentos, expressam suas escolhas, os desafios, a valorização de sua cultura.
O texto poderá ser conferido de forma integral no guia, que será lançado em 15 de dezembro, no Centro Cultural da Light, Av. Marechal Floriano, 168, Centro do Rio de Janeiro, a partir das 17h.
O texto poderá ser conferido de forma integral no guia, que será lançado em 15 de dezembro, no Centro Cultural da Light, Av. Marechal Floriano, 168, Centro do Rio de Janeiro, a partir das 17h.
Confira alguns trechos desses depoimentos:
Providência
“Descobrimos certos valores culturais, educacionais que são importantes na Providência. Trabalhamos para poder, com esse mapa, mostrar a história da comunidade não só para os moradores da Providência, mas também para quem é de fora conhecer nossas riquezas e valores”. Delimitamos a área do mapa por acreditarmos que esta representa o Morro da Providência de forma mais atualizada. A escolha dos percursos foi uma decisão do grupo uma vez que esses são pontos de forte representação cultural na comunidade.”
Salgueiro
“Fizemos entrevistas com pessoas de diferentes lugares e percorremos todas as partes do morro, procurando ampliar nosso conhecimento sobre a comunidade, buscando histórias que nós mesmos não conhecíamos. Não foi fácil fazer o mapa. A cada semana uma nova etapa, um novo obstáculo. Foi um desafio lidar com opiniões e pensamentos diferentes, decidir quem entra e quem sai do mapa, por que entra e por que sai, quais são as características, as manifestações e os aspectos culturais do Salgueiro. Descobrimos que não existe uma cultura só, mas muitas. Aceitamos o desafio e, a cada encontro, construíamos novos conhecimentos”.
Cabritos/Tabajaras
“Descobrimos que no Tabajaras também há cultura. Muitas histórias nos foram reveladas pelos mais antigos e alguns pontos culturais que nós mesmos não conhecíamos. Com esse mapa, acreditamos que ficará mais fácil, para pessoas daqui e de outros lugares que não conhecem a comunidade, visitá-la e ver que no nosso morro também há coisas boas.”
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Entrevista: Fernanda Mayrink
Fomentar o protagonismo de atores locais, especialmente jovens de comunidades, está entre os objetivos em termos de responsabilidade social da Light, patrocinadora do projeto Intercâmbios JuventudeArte. Fernanda Mayrink, Gerente de Atendimento às Comunidades da Light, fala da importância da iniciativa e dos desafios da empresa com a implementação de um novo modelo de relacionamento com os clientes nas comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Qual a importância de fomentar iniciativas como o mapeamento por jovens de ações culturais em suas comunidades?
Fernanda Mayrink: A Light quer contribuir com o desenvolvimento sustentável das áreas que estão sendo pacificadas. Para isso, é necessário um intenso trabalho de articulação com as diversas instituições e as políticas públicas, mas também o protagonismo dos atores locais. Integrar as áreas pacificadas, resgatando o histórico das comunidades, contribui para o surgimento de novos líderes. Essa força está com os jovens.
Quais são os principais frutos do projeto?
Fernanda Mayrink: A oportunidade de que haja uma troca de experiências, informações entre jovens dos Cabritos/Tabajaras, do Salgueiro e da Providência, o que nem sempre é possível. Acho isso muito rico. Cada comunidade tem a sua história, as suas particularidades. Fazer um mapa dessas localidades representa o resgate da cultura, da história. Além da possibilidade de integração entre comunidades e de fomento do protagonismo de atores locais.
E a busca desse protagonismo e integração está ocorrendo pelo viés da cultura...
Fernanda Mayrink: A cultura é fundamental. Sem isso o ciclo não se fecha. Espero que esse mapeamento fortaleça a cultura dessas localidades.
Você participou de um dos encontros do projeto para falar sobre o uso de energia. Com a chegada das UPPs, a Light tem implementado mudanças nesses territórios.
Fernanda Mayrink: Essas áreas viviam na informalidade. Com as UPPs, com a formalização, chegam serviços e o pagamento por eles. A conta de luz faz parte do processo. O encontro com os jovens foi uma oportunidade de mostrar o que a Light tem feito e trocar, dialogar, tirar dúvidas sobre consumo, Tarifa Social etc.
Uma das questões levantadas pelos jovens, a maioria chefe de família, foi o fato de chegarem as contas, porém poucas iniciativas de geração de trabalho e renda para que façam frente aos pagamentos. O que a Light tem implementado nesse sentido?
Fernanda Mayrink: Entre os cursos que oferecemos está a formação de eletricistas da rede aérea. .Formamos duas turmas com moradores de comunidades pacificadas. É uma forma de capacitar e inserir esta mão de obra no mercado formal. Outro projeto é o Light Recicla, que propõe a troca de lixo reciclável por desconto na conta de luz. É uma alternativa de pagamento. O dinheiro que seria gasto com a conta de luz pode ser direcionado pelos consumidores para outras ações. Essa iniciativa começou no Santa Marta, em Botafogo, e agora, será implementada no Chapéu Mangueira e Babilônia. O projeto ajuda a tirar o lixo das ruas, gera renda pelo desconto na conta de luz e promove saúde, uma vez que diminui focos de dengue.
Qual a importância de fomentar iniciativas como o mapeamento por jovens de ações culturais em suas comunidades?
Fernanda Mayrink: A Light quer contribuir com o desenvolvimento sustentável das áreas que estão sendo pacificadas. Para isso, é necessário um intenso trabalho de articulação com as diversas instituições e as políticas públicas, mas também o protagonismo dos atores locais. Integrar as áreas pacificadas, resgatando o histórico das comunidades, contribui para o surgimento de novos líderes. Essa força está com os jovens.
Quais são os principais frutos do projeto?
Fernanda Mayrink: A oportunidade de que haja uma troca de experiências, informações entre jovens dos Cabritos/Tabajaras, do Salgueiro e da Providência, o que nem sempre é possível. Acho isso muito rico. Cada comunidade tem a sua história, as suas particularidades. Fazer um mapa dessas localidades representa o resgate da cultura, da história. Além da possibilidade de integração entre comunidades e de fomento do protagonismo de atores locais.
E a busca desse protagonismo e integração está ocorrendo pelo viés da cultura...
Fernanda Mayrink: A cultura é fundamental. Sem isso o ciclo não se fecha. Espero que esse mapeamento fortaleça a cultura dessas localidades.
Você participou de um dos encontros do projeto para falar sobre o uso de energia. Com a chegada das UPPs, a Light tem implementado mudanças nesses territórios.
Fernanda Mayrink: Essas áreas viviam na informalidade. Com as UPPs, com a formalização, chegam serviços e o pagamento por eles. A conta de luz faz parte do processo. O encontro com os jovens foi uma oportunidade de mostrar o que a Light tem feito e trocar, dialogar, tirar dúvidas sobre consumo, Tarifa Social etc.
Uma das questões levantadas pelos jovens, a maioria chefe de família, foi o fato de chegarem as contas, porém poucas iniciativas de geração de trabalho e renda para que façam frente aos pagamentos. O que a Light tem implementado nesse sentido?
Fernanda Mayrink: Entre os cursos que oferecemos está a formação de eletricistas da rede aérea. .Formamos duas turmas com moradores de comunidades pacificadas. É uma forma de capacitar e inserir esta mão de obra no mercado formal. Outro projeto é o Light Recicla, que propõe a troca de lixo reciclável por desconto na conta de luz. É uma alternativa de pagamento. O dinheiro que seria gasto com a conta de luz pode ser direcionado pelos consumidores para outras ações. Essa iniciativa começou no Santa Marta, em Botafogo, e agora, será implementada no Chapéu Mangueira e Babilônia. O projeto ajuda a tirar o lixo das ruas, gera renda pelo desconto na conta de luz e promove saúde, uma vez que diminui focos de dengue.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Entrevista: Vinicius Ladeira
Jovens dos morros Cabritos/Tabajaras (Copacabana), Providência (Centro) e Salgueiro (Tijuca) se reuniram neste último sábado, 26 de novembro, para os ajustes finais nos mapas culturais das três comunidades, que serão lançados em 15 de dezembro. O projeto Intercâmbios JuventudeArte, que teve início em meados de setembro, chega ao fim com resultados positivos. O designer do Núcleo de Produção da Oi kabum, Vinicius Ladeira, fala da importância do processo de construção conjunta dos mapas e ressalta o envolvimento dos jovens participantes.
Foto: Edmilson de Lima
O projeto foi idealizado de forma a permitir o desenvolvimento dos mapas culturais de forma participativa, com uma real integração entre os profissionais envolvidos e os jovens das comunidades. Como você avalia esse processo?
Vinicius Ladeira: É a primeira vez que me envolvo com um trabalho nessa escala. Estamos lidando com territórios onde moram pessoas, é complexo, precisamos ser detalhistas, construir em conjunto com moradores desses locais. É muito bonito ver os jovens que ficaram do início ao fim do projeto trabalhando juntos. Estão se dedicando à construção do mapa, se sentindo responsáveis pelo resultado do trabalho. Você vê que não está sozinho, que somos uma equipe.
O que mais chamou a sua atenção no desenvolvimento do trabalho?
Vinicius Ladeira: Todo o trabalho que faço eu vejo como um processo para além do trabalho, como um processo pessoal também. Há o desenvolvimento do produto e a transformação da minha percepção. Depois que iniciei esse trabalho, percebo as comunidades de forma diferente. Não vejo como pessoas carentes que precisam de ajuda, como um lugar caótico, temeroso. Tenho um olhar da auto-gestão. Se não tem alguém que faça por mim, eu mesmo vou fazer. Foi um enriquecimento pessoal.
Quais os principais desafios na execução do desenho do mapa?
Vinicius Ladeira: Cada passo do mapa é um desafio diferente. As favelas são um emaranhado de caminhos. Os jovens elegeram os melhores, fizeram escolhas para simplificar. Eles pegaram esse trabalho com propriedade e ficaram até o final. Os caminhos internos foram bem complicados de executar. Tentei simplificar para ficar agradável visualmente, mas, muitas vezes, essa simplificação não traduzia os caminhos de forma correta, sendo necessários ajustes.
Por que um mapa cultural de comunidades do Rio de Janeiro é importante?
Vinicius Ladeira: Vai ser muito interessante para as pessoas de dentro da comunidade valorizarem o que elas têm. O conhecimento pode ser adquirido em todos os lugares, basta saber procurar. Todo lugar tem uma história. As pessoas que estão ao redor é que fazem história.
sábado, 19 de novembro de 2011
Jovens finalizam conteúdo do mapa cultural de suas comunidades
O projeto Intercâmbios Juventudearte está chegando à reta final. No 7º encontro, realizado no último sábado, 12 de novembro, os jovens participantes - moradores do Morro da Providência (Centro), Salgueiro (Tijuca) e Cabritos/Tabajaras (Copacabana) – concluíram a elaboração do conteúdo que será apresentado no mapa cultural dessas localidades.
Durante o processo, que teve início em meados de setembro, os jovens levantaram iniciativas culturais e realizaram mais de 60 entrevistas com moradores antigos e com responsáveis pelas ações culturais. Graças às entrevistas, mais pessoas conhecerão o histórico das comunidades e saberão o que motivou o surgimento das atividades culturais, bem como terão acesso às informações para participar delas.
“Muitas senhoras que eu achava que iam ficar assustadas gostaram de ser entrevistadas, se sentiram valorizadas, viram que tem algo novo acontecendo na comunidade”, conta Alexsandro Rocha Azevedo (Lequinho), do Morro dos Cabritos/Tabajaras.
Lequinho - Morro dos Cabritos/Tabajara
Lisane Cristina dos Santos Fernandes, do Salgueiro, tem a mesma impressão. “As pessoas trataram a gente bem, gostaram de ser entrevistadas, quiseram entrar no mapa. Assim, todos vão passar a conhecer essas pessoas e o que fazem”, diz.
Lisinha - Morro do Salgueiro
Uma das entrevistas que mais chamou a atenção de Lequinho foi a que realizou com o casal Dona Landinha, costureira, e seu Di Andrade, músico. “Eles têm uma profissão diferente da que a maioria seguia antigamente. Era mais comum as pessoas trabalharem como feirantes, em serviços domésticos. Saíram do padrão”, explica.
As entrevistas que a moradora da Providência Joice da Silva Almeida realizou, fez com que conhecesse pessoas das quais já havia ouvido falar, mas nunca tinha tido a oportunidade de entrar em contato.
Joice - Morro da Providência
“Eu já tinha escutado do projeto que o seu Nélio desenvolve de percussão na comunidade e do museu que a Dona Dodô da Portela mantém, mas nunca tinha ido e falado com essas pessoas. Gostei muito do processo porque sou tímida e, com as entrevistas, me soltei conversando com as pessoas. Esse é um projeto importante para a comunidade”, ressalta Joice.
As ações culturais apontadas no mapa abrangem bares, festas, festividades, bibliotecas, igrejas, pontos históricos, projetos, entre outros. Além dos depoimentos colhidos pelos jovens e do histórico de cada uma das três comunidades, o mapa trará os principais trajetos que podem ser percorridos pelos visitantes e a opinião dos jovens sobre o processo de criação da publicação.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Entrevista: Denise Francisca de Oliveira Santos
O deslocamento de retina que, em um primeiro momento, teria afastado Denise apenas temporariamente do emprego, acabou por fazer com que alterasse definitivamente o rumo que seguia até então. Moradora do Salgueiro, favela na Zona Norte do Rio, ela trabalha para o fortalecimento cultural da comunidade. Entre as iniciativas que desenvolve estão aulas de capoeira e a criação da primeira biblioteca comunitária na localidade. Denise esteve presente no 7º encontro do Projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de novembro, contribuindo para a conclusão do mapeamento cultural do Salgueiro desenvolvido por jovens da comunidade.
O que acha de uma iniciativa de mapeamento de atividades culturais no Salgueiro?
Denise Francisca de Oliveira Santos: É uma boa iniciativa. Ajuda as pessoas que vivem no Salgueiro a conhecer melhor a comunidade e pode incentivar que pessoas de fora visitem a localidade. O mapeamento está muito interessante, focado nas questões da comunidade, sua história, seus pontos turísticos.
Já soube de iniciativas parecidas com essa?
Denise Francisca: Eu tenho dois mapas do Salgueiro, mas o foco deles são as áreas de risco. É bem diferente, não? Quando há previsão de chuva forte, a Defesa Civil entra em contato comigo para que eu alerte as pessoas que vivem em áreas de risco para que saiam de suas casas e vão para o ponto de apoio, que é a quadra.
Depois de publicado, o que a comunidade poderá fazer para que o mapa seja potencializado?
Denise Francisca: Os jovens envolvidos no projeto levantaram vários pontos. Eu acho que para o Salgueiro entrar na rota de visitação é necessário mostrar mais a sua história. As pessoas mais antigas têm muitas informações, os jovens podem se inteirar mais, saber mais coisas da comunidade onde vivem. Como explicar os nomes das localidades dentro do Salgueiro? Por que determinada localidade antes era denominada Pedacinho do Céu, por exemplo? O que hoje é o Bar do Cisne, um dos pontos levantados, antigamente era onde a nata do Salgueiro se reunia para compor os sambas. Mostrar a nossa história é muito importante para fortalecer esse mapa.
Você tem um papel importante no fortalecimento da cultura no Salgueiro. Entre as atividades que desenvolve estão aulas de capoeira.
Denise Francisca: Há mais ou menos 10 anos comecei a dar aula de capoeira. Eu dava aula, mas também trabalhava fora, como cobradora de ônibus. Fui afastada por causa de um deslocamento de retina, que fez com que perdesse uma vista. Nesse período de afastamento, passei a observar mais a comunidade. Um dia, em casa, escutei duas crianças conversando. Uma delas disse que queria ser a polícia, para prender os bandidos. E a outra disse: “Mas é muito melhor ser o bandido”. Pensei que precisava fazer algo para mudar aquela realidade. O meu problema na vista fez com que eu passasse a ver a vida de forma diferente. A partir disso, comecei a montar uma biblioteca comunitária e intensifiquei as aulas de capoeira.
E a biblioteca é muito visitada?
Denise Francisca: Não existia nenhuma biblioteca no Salgueiro. As crianças e adolescentes até 15 anos visitam. Recebemos cerca de 50 visitas ao mês. Temos mais ou menos 2 mil livros, de literatura, ensino fundamental e médio, direito, administração. Os livros vêm através de doações dos moradores, de bibliotecas, do Wal Mart. Já temos muitos livros do ensino fundamental, mas outras publicações são muito bem vindas.
Mais informações: dedecapoeira@yahoo.com.br.
Entrevista: Nélio de Oliveira
Seu Nélio esteve presente no 7º encontro do projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de outubro. Participou da elaboração de texto histórico do Morro da Providência, Centro do Rio de Janeiro, que será publicado no mapa cultural da localidade desenvolvido por jovens moradores. Ele é uma referência no Morro da Providência por sua atuação em defesa dos direitos da comunidade e pela coordenação do projeto Escola de Percussão da Providência.
Como o projeto de percussão começou na Providência?
Nélio de Oliveira: Em 2001, eu me aposentei e não queria mais saber de nada. Na semana seguinte, me ligaram da Prefeitura dizendo que queriam que eu tocasse um projeto de percussão na comunidade. Eu me propus apenas a uma experiência de 60 dias e já se passaram 10 anos. Depois de mudanças na Prefeitura, o projeto não teve mais andamento no âmbito governamental e, então, eu passei a tocar por conta própria.
Quem participa do projeto?
Nélio de Oliveira: Crianças a partir dos 5 anos até os 21 anos. Atualmente, temos cerca de 80 inscrições. Isso porque 40 pessoas deixaram de integrar o projeto depois que 60 famílias foram removidas da Ladeira do Farias por conta do Morar Carioca. Ao todo, já passaram 800 alunos pelo projeto. Alguns atuam na área de percussão, como ritmistas, já viajaram para o exterior para trabalhar.
Qual a importância de um projeto como esse?
Nélio de Oliveira: Ocupa os jovens, evita a ociosidade. É uma exigência do projeto que os participantes frequentem a escola. Eu peço para ver boletim escolar. Fico muito atento se as crianças estão faltando às aulas. Nós também nos apresentamos nas escolas, nas festividades.
O que o senhor acha de jovens terem sido convidados a fazer um mapeamento cultural da Providência?
Nélio de Oliveira: É muito bom para esses jovens fazer esse mapeamento. Outras comunidades deveriam criar grupos para fazer um levantamento como esse. Saber por que residem no morro, quais as primeiras famílias que surgiram. Os jovens têm que conversar com os mais velhos, ter a escola da vida, viver o ambiente onde moram.
O projeto está estimulando que os jovens conversem com pessoas da comunidade para resgatar esse histórico...
Nélio de Oliveira: Eles estão entrando em contato com a história. É preciso saber o passado. Fiquei feliz quando vi meninas envolvidas com o projeto na casa da dona Dodô da Portela [ex-porta-bandeira brasileira]. Então elas disseram: “Também temos que falar com o seu Nélio”. Então eu disse: “Sou eu”. Elas me convidaram para vir aqui hoje.
Gostou do que viu do levantamento dos pontos culturais feito pelos jovens?
Nélio de Oliveira: Sim, os pontos principais são aqueles mesmos. É muito bom também o mapa vir com entrevistas e textos, porque o tempo passa e essas informações acabam sendo esquecidas. É preciso documentar.
Que frentes poderão ser abertas a partir do mapa cultural da Providência?
Nélio de Oliveira: Esse mapa alerta moradores sobre a situação pela qual estamos passando. É um instrumento de luta, pois uma vez que registra o passado da comunidade e como é hoje, alerta para possíveis modificações na comunidade. Faz com que moradores pensem que com algumas obras que estão sendo propostas para a Providência, podemos perder moradores, mudar alguns espaços.
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