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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Elas Falam sobre o Mundo do Rap Feminino (Parte II)

“...Disseram então que eu não podia cantar...”/ “...Não ligue meu bem, que isso é prosa, se tudo se renova Sharylaine está a toda prova...” Esses eram os versos que Sharylaine cantava no disco Consciência Black volume I, no final dos anos 80. Anos se passaram e o rap feminino ainda tem que andar um pouco mais para acompanhar os homens no mesmo estilo. Para discutir essas e outras questões vamos ver o que falaram nossas convidadas;
Desenvolvendo e expandindo


Depois que a MC Rubia, apareceu com seus parceiros do RPW, cantando Pule e empurre, as meninas tem cada vez mais tomado atitude e metendo a cara na cena do rap nacional, “As minas que vejo subindo aos palcos estão sempre com muita garra, energia” diz a Mc DeDeus que no mês de Maio desse ano lançou seu Primeiro Video Clipe “Destino”, com cenas de protestos no centro da cidade. Ao contrario do que alguns pensam protestar e meter as caras não é perder a identidade feminina, as minas do Odisseia das Flores falam que hoje as mulheres tem que “expressar seus sentimentos e principalmente sua Feminilidade” por meio de sua arte e musica. Porem a mulher na sociedade que criamos tem que vencer vários obstáculos, o grupo Tarja Preta diz “a luta da mulher dentro do movimento é diferente da do homem por que temos que conciliar casa, filho, marido e o hip hop”. Ainda as vitórias e espaços conquistados dentro do Movimento pela mulherada, tem muito a ver com as artistas que mencionamos aqui e no artigo anterior e a movimentos organizados como a FRENTE NACIONAL DE MULHERES NO HIP HOP (FNMH2), HIP HOP MULHER e outros mais movimentos espalhados pelo Brasil.


Vencendo Obstáculos


Perguntadas sobre as dificuldades que elas encontram no movimento a lista se torna enorme e surgem coisas quase que inadmissíveis, mas que acontecem em baixo de nossos olhos. A Mc DeDeus fala sobre a questão da falta de respeito de algumas pessoas que levam as mulheres com má intenção, confundindo profissionalismo com Flerte e também destaca uma certa competição entre as próprias mulheres. A desvalorização e falta de respeito pelo Rap no Brasil e a não profissionalização são as questões levadas em conta pelo grupo Odisseia das Flores e ratificado pelo Tarja Preta, que destaca que muitos dos grupos tem que tirar do próprio bolso dinheiro para ir pros eventos e gravações. Pensando nas dificuldades levantadas pelas minas, conseguimos visualizar que ainda temos muito a conquistar no que tange a abertura espaços qualificados para desenvolvimento do rap feminino.


Recado Dado...


Essa Humilde matéria teve como objetivo, mostrar o alguns grupos ou MC’S Mulheres que estão fazendo o rap Feminino se espalhar pelas estão fazendo ou pensam sobre a Cena do rap Brasileiro. Espaço aberto para o recado que elas deixaram...
DeDeus MC: Se vocês acreditarem em vocês, no trampo de vocês nada poderá detê-las. Preocupe-se em fazer o seu e em se tornar cada vez melhores! Acreditar e persistir! Sempre!
Odisseia das Flores: Força, foco, coragem na missão, comprometimento, humildade e principalmente seja você mesmo. Se realmente é o seu sonho vá atrás, porque o que é verdadeiro nunca morre, é eterno...
Tarja Preta: Deixaremos o recado do jeito que nos expressamos melhor!
Desistir jamais, / Mostre q é capaz / As lutas e as correrias / É a mulher quem faz /
É só mostrar que pode / Rimar é um dom dos fortes / Tanto homem ou mulher /
Tudo pelo hip hop.



Texto Israel Neto & Fotos: Andreia Soares

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Bruno Pastore responde; "é Grafitti ou Artes Plasticas?"

Entrevista com Bruno Pastore, por Israel Neto
Fotos: Camila Peixoto

Conheci Buno Pastore (Educador Social, Grafiteiro, Poeta e Pai) alguns anos e sempre discutimos questões muito relevantes, então vou compartilhar algumas com vocês...

Israel - Como e quando começou no grafitti?
Bruno - Comecei desde que nasci, pois desde moleque sou chamado a atenção por rabiscar paredes. Isso é lembrado até hoje nos almoços de família, minha avó diz: "é, está vendo, aquela arte toda no que deu" - eu só dou risada e penso. Mas meu primeiro contato com o graffiti que conhecemos foi através da pixação em 1998, depois a partir de 2000, comecei a frequentar oficinas e ter contato com o graffiti.


É Graffiti ou artes plásticas?
Graffiti é uma expressão que se difere das manifestações plásticas – das artes plásticas, coisa que não deveria, pois a essência de uma obra de arte, ou qualquer manifestação humana converge no mesmo lugar, a questão é que esta essência/origem, está por um triz tanto no graffiti como nas artes plástica, e isso me intriga mais do que esta simples diferença de nomenclatura e rótulo.
Respondendo a pergunta, apesar do graffiti estar na galeria e isso legitimá-lo como artes plásticas, não gostaria de ver o graffiti como tal, não encaro ele desta forma, pois tudo que é deslocado de sua origem/essência tende a perder o real sentido, e isto é uma transição delicada para qualquer manifestação humana, resumindo à uma simples experiência estética, entrando no plano do gosto, sendo absorvido e suprimido do seu real objetivo, que é a manifestação incondicional do espirito, do homem para ele mesmo.

É possível viver da arte na periferia?
Creio piamente que sim, exemplo disso são as doceiras, costureiras, os mecânicos e muitos outros artesãos que fazem do fruto de seu ofício, seu próprio sustento. Creio que com organização, trabalho e coragem, tudo é possível neste mundo vasto, pois a geografia foi inventada e é superável, o erro é nos restringirmos a ela e não querer reinventá-la .

O que é “Juventude Transformando com arte” pra você?
Bela pergunta, e de difícil resposta.
Só consigo contorná-la, partindo de uma experiência real quando em uma oficina de criação poética, fui interpelado pelo profundo fracasso e, com ele aprendi que não se ensina ninguém a ser poeta, poeta é poeta por si próprio e só, mesmo que nunca tenha feito um poema.
Aprendi com os jovens da oficina que, levar a poesia para o seu estado original – do acontecimento na integra- é a melhor forma de criar poesia. Aprendi com eles que criar poemas tem pouca importância, vi que o lugar de ouvir o outro, de olhar no olho do outro, ouvir e falar, trocar e criar experiências reais tem maior valor do que criar poemas. Talvez juventude transformando com arte seja uma juventude que não fique restrita as artes, e sim uma juventude que resgate de fato, através da arte ou de qualquer outra forma, as relações humanas.

Bruno Pastore
www.flickr.com/photos/pastore4life
http://www.literalmentepastore.blogspot.com/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Conversa com o Davi do grupo do Máfia 44

JuventudeArte - Quando e por que você escolheu o graffiti?

DAVI BALTAR - Foi em 2006, eu já conhecia o graffiti a algum tempo mas não tinha recurso pra poder pintar. Então no meio deste ano surgiu a oportunidade de fazer uma oficina. Daí tive a oportunidade de praticar e com o tempo o graffiti foi tomando conta da minha vida.

JuventudeArte - Qual a proposta do coletivo Máfia 44, que hoje faz parte do Banco de experiências sociais com arte e cultura?

DAVI -Hoje nós somos um grupo que pensa e age em favor da arte como instrumento de transformação, tanto no sentido físico quanto no social. Acreditamos que a pintura, a arte em si pode elevar a auto-estima das pessoas e do seu entorno, ela age como instrumento de diálogo. Por isso o graffiti é tão importante pra gente, pois tudo isso pode se tornar público, facilita muito o nosso contato com o público.

JuventudeArte - De que maneira o trabalho do Máfia 44 mobiliza jovens tanto no ensino da técnica quanto na discussão e visibilidade das questões caras a eles?

DAVI - Alguns de nós trabalhamos em oficinas com jovens. Por sermos um grupo independente temos o privilégio da liberdade, mas por outro lado sempre tivemos que arcar com muito do que fazemos (murais, encontros, etc.). Penso que mais importante que "formar grafiteiros", é conscientizar uma comunidade da importância da preservação de suas paredes, por exemplo, pois uma parede pintada "pedirá" um chão limpo, para que os moradores possam posar pra fotos num bom lugar. Esse tipo de pequenas experiências que passamos nos ensinam que uma pintura numa parede pode gerar uma reação cultural num local antes descuidado. E os jovens são os mais atentos a isso, pois ainda estão bem abertos a novas idéias.

JuventudeArte - Como foi a sua experiência como oficineiro na Mostra Brasil?

DAVI - Foi ótima. Ministrei uma oficina para um grupo de B-boys de Campinas, SP. A proposta da oficina era: "Brasil: suas cores e gêneros", e o grupo se chamava S.A.M.B.A (Somos A Mistura Brasileira). Pronto, caiu como uma luva no tema! foi samba, hip-hop, Rio, São paulo... resultou num trabalho bem legal. Pude conhecer também outras pessoas que mobilizam jovens de uma forma muito forte, meu maior aprendizado foi ver o entusiasmo de todos.

JuventudeArte - Que outros grupos de jovens você considera que estão fazendo um trabalho legal com graffiti atualmente?

DAVI - Tem a posse 471, que agora em novembro promovem o Meeting of Favela, que é considerado o maior encontro voluntário de graffiti do Brasil, um mutirão de graffiti, como é conhecido. Para quem quiser saber mais sobre, fica o blog: http://meetingofavela.blogspot.com/

E vou falar também da Artefeito, que promove ações educativas e culturais envolvendo o graffiti, e eu também estou fazendo parte atualmente Para quem quiser saber mais sobre, fica o blog: http://www.artefeito-cultura.blogspot.com/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010