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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Futuros possíveis desdobramentos para mapa cultural de comunidades do Rio

A Agenda Cultural da Periferia é uma publicação mensal idealizada pela organização não governamental Ação Educativa. A iniciativa surgiu há um pouco menos de cinco anos para preencher uma lacuna – a falta de divulgação pelos grandes meios de comunicação de iniciativas culturais que ocorrem na periferia de São Paulo. Guias culturais de grandes jornais como a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo acabam por fornecer informações que privilegiam atividades e grupos que se apresentam na parte mais abastada da cidade. A editora da Agenda, Elizandra Souza, e o coordenador editorial da publicação, Eleilson Leite, estiveram presentes no último encontro do Projeto Intercâmbios Juventude Arte, realizado no último sábado, 10 de dezembro, para dialogar com os jovens participantes do projeto sobre como o mapeamento cultural das comunidades dos Cabritos/Tabajaras (Copacabana), Providência (Centro) e Salgueiro (Tijuca) que realizaram pode se desdobrar em outras ações.


Como surgiu a ideia de criar a Agenda Cultural da Periferia?

Antônio Eleilson Leite: Desde 2005 eu tinha vontade de mostrar o que a periferia faz em termos de arte e cultura, porque os principais guias culturais de São Paulo não divulgam essas informações. Até hoje esses guias não mostram as ações da periferia. Então, recebemos patrocínio para fazer um mapeamento de ações culturais na periferia de São Paulo. No final do processo, em vez de publicar um mapa cultural, optamos por criar e publicar três edições da Agenda Cultural da Periferia. Inicialmente, tínhamos recursos apenas para essas três edições, mas nunca mais paramos de fazer, até os dias de hoje.  As primeiras edições contaram com cerca de 40 eventos divulgados. Quatro, cinco meses depois havia 80 eventos.

Qual a importância de uma iniciativa como essa?

Antônio Eleilson Leite: Mostrar que a cidade é muito mais do que o centro expandido. Alargar o sentido de cidade. O último guia da Folha de São Paulo divulga 220 peças de teatro. Não há sequer divulgação de peça em São Bernardo do Campo, que é o 10º orçamento da União. A visão do circuito cultural é muito estreita.

Quais têm sido os principais frutos desse trabalho?

Elizandra Batista de Souza: O registro das atividades que ocorrem na periferia tem promovido troca entre os grupos. A publicação tem sido fomentadora de redes. Outra coisa que tem ocorrido é o aumento de interesse por divulgar atividades na Agenda.  Não damos conta de divulgar tudo o que aparece. Muitas das atividades que não conseguimos publicar na Agenda da Periferia impressa vão para o site. Fora isso, estamos divulgando a Agenda por web TV, no portal Catraca Livre, e pela rádio web de Heliópolis, uma das maiores favelas com 140 mil habitantes.

Antônio Eleilson Leite: A Agenda da Periferia tem servido como portfólio para muitos dos grupos que são divulgados por ela. Existe um edital chamado VAI – Valorização de Iniciativas Culturais da Secretaria Municipal de São  Paulo, voltado para grupos de juventude de periferia e muitos que concorrem a esse edital anexam a Agenda.


A Agenda circula mais entre pessoas da própria periferia ou outros públicos também têm acesso?

Elizandra Batista de Souza: O foco principal é a periferia. A maior parte da tiragem é distribuída nos próprios eventos que divulga. 8 mil exemplares vão para a periferia e 2 mil para o Centro de São Paulo, em locais onde grupos de periferia estão se apresentando. Há uma seção na publicação chamada A Periferia no Centro.

Antônio Eleilson Leite: Hoje temos uma tiragem de 10 mil exemplares, se tivéssemos 30 mil, distribuiríamos tudo. Existem 55 bibliotecas públicas. Distribuímos apenas em 10 localizadas mais na rota da periferia, por conta da tiragem. E existem 44 Centros de Educação Unificada na periferia, o CEU. Não temos atualmente como distribuir para todos.

E depois que a Agenda começou a ser publicada, os grandes meios de comunicação passaram a divulgar mais iniciativas da periferia?

Antônio Eleilson Leite: A mídia toma conhecimento de tudo o que está ocorrendo. O que ocorre é, quando aparece muita ocorrência de sarau ou roda de samba na Agenda, vemos a publicação de uma matéria sobre o assunto na mídia. Mas não há divulgação de um evento específico.

Quais os desafios futuros para a Agenda Cultural da Periferia?

Elizandra Batista de Souza: A expansão. Aumentar o número de páginas, a equipe. Poder incluir matérias. Transformar a agenda em uma revista. Tem muito a fazer ainda. Poderíamos divulgar Hardcore. Tem bastante rock de periferia. Eles nunca procuraram a gente e a limitação de equipe impede que a gente vá buscar informações nessa área. O mesmo ocorre com o Forró, o Funk. Tem para onde expandir ainda mais. E também temos consciência que a periferia é muito diversificada, é um prisma cultural que queremos atingir, mas é desafiador.

Mais informações:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Entrevista: Fernanda Mayrink

Fomentar o protagonismo de atores locais, especialmente jovens de comunidades, está entre os objetivos em termos de responsabilidade social da Light, patrocinadora do projeto Intercâmbios JuventudeArte. Fernanda Mayrink, Gerente de Atendimento às Comunidades da Light, fala da importância da iniciativa e dos desafios da empresa com a implementação de um novo modelo de relacionamento com os clientes nas comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).


Qual a importância de fomentar iniciativas como o mapeamento por jovens de ações culturais em suas comunidades?

Fernanda Mayrink: A Light quer contribuir com o desenvolvimento sustentável das áreas que estão sendo pacificadas. Para isso, é necessário um intenso trabalho de articulação com as diversas instituições e as políticas públicas, mas também o protagonismo dos atores locais. Integrar as áreas pacificadas, resgatando o histórico das comunidades, contribui para o surgimento de novos líderes. Essa força está com os jovens.

Quais são os principais frutos do projeto?

Fernanda Mayrink: A oportunidade de que haja uma troca de experiências, informações entre jovens dos Cabritos/Tabajaras, do Salgueiro e da Providência, o que nem sempre é possível. Acho isso muito rico. Cada comunidade tem a sua história, as suas particularidades. Fazer um mapa dessas localidades representa o resgate da cultura, da história. Além da  possibilidade de integração entre comunidades e de fomento do protagonismo de atores locais. 

E a busca desse protagonismo e integração está ocorrendo pelo viés da cultura...


Fernanda Mayrink: A cultura é fundamental. Sem isso o ciclo não se fecha. Espero que esse mapeamento fortaleça a cultura dessas localidades. 

Você participou de um dos encontros do projeto para falar sobre o uso de energia. Com a chegada das UPPs, a Light tem implementado mudanças nesses territórios.


Fernanda Mayrink: Essas áreas viviam na informalidade. Com as UPPs, com a formalização, chegam serviços e o pagamento por eles. A conta de luz faz parte do processo.  O encontro com os jovens foi uma oportunidade de mostrar o que a Light tem feito e trocar, dialogar, tirar dúvidas sobre consumo, Tarifa Social etc.

Uma das questões levantadas pelos jovens, a maioria chefe de família, foi o fato de chegarem as contas, porém poucas iniciativas de geração de trabalho e renda para que façam frente aos pagamentos. O que a Light tem implementado nesse sentido?

Fernanda Mayrink: Entre os cursos que oferecemos está a formação de eletricistas da rede aérea. .Formamos duas turmas com moradores de comunidades pacificadas. É uma forma de capacitar e inserir esta  mão de obra no mercado formal. Outro projeto é o Light Recicla, que propõe a troca de lixo reciclável por desconto na conta de luz. É uma alternativa de pagamento. O dinheiro que seria gasto com a conta de luz pode ser direcionado  pelos consumidores para outras ações. Essa iniciativa começou no Santa Marta, em Botafogo, e agora, será implementada no Chapéu Mangueira e Babilônia. O projeto ajuda a tirar o lixo das ruas, gera renda pelo desconto na conta de luz e promove saúde, uma vez que diminui focos de dengue. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Entrevista: Vinicius Ladeira

Jovens dos morros Cabritos/Tabajaras (Copacabana), Providência (Centro) e Salgueiro (Tijuca) se reuniram neste último sábado, 26 de novembro, para os ajustes finais nos mapas culturais das três comunidades, que serão lançados em 15 de dezembro. O projeto Intercâmbios JuventudeArte, que teve início em meados de setembro, chega ao fim com resultados positivos. O designer do Núcleo de Produção da Oi kabum, Vinicius Ladeira, fala da importância do processo de construção conjunta dos mapas e ressalta o envolvimento dos jovens participantes.

Foto: Edmilson de Lima

O projeto foi idealizado de forma a permitir o desenvolvimento dos mapas culturais de forma participativa, com uma real integração entre os profissionais envolvidos e os jovens das comunidades. Como você avalia esse processo?

Vinicius Ladeira: É a primeira vez que me envolvo com um trabalho nessa escala. Estamos lidando com territórios onde moram pessoas, é complexo, precisamos ser detalhistas, construir em conjunto com moradores desses locais. É muito bonito ver os jovens que ficaram do início ao fim do projeto trabalhando juntos. Estão se dedicando à construção do mapa, se sentindo responsáveis pelo resultado do trabalho. Você vê que não está sozinho, que somos uma equipe.

O que mais chamou a sua atenção no desenvolvimento do trabalho?

Vinicius Ladeira: Todo o trabalho que faço eu vejo como um processo para além do trabalho, como um processo pessoal também. Há o desenvolvimento do produto e a transformação da minha percepção. Depois que iniciei esse trabalho, percebo as comunidades de forma diferente. Não vejo como pessoas carentes que precisam de ajuda, como um lugar caótico, temeroso. Tenho um olhar da auto-gestão. Se não tem alguém que faça por mim, eu mesmo vou fazer.  Foi um enriquecimento pessoal.

Quais os principais desafios na execução do desenho do mapa?

Vinicius Ladeira: Cada passo do mapa é um desafio diferente. As favelas são um emaranhado de caminhos. Os jovens elegeram os melhores, fizeram escolhas para simplificar. Eles pegaram esse trabalho com propriedade e ficaram até o final. Os caminhos internos foram bem complicados de executar. Tentei simplificar para ficar agradável visualmente, mas, muitas vezes, essa simplificação não traduzia os caminhos de forma correta, sendo necessários ajustes.

Por que um mapa cultural de comunidades do Rio de Janeiro é importante?

Vinicius Ladeira: Vai ser muito interessante para as pessoas de dentro da comunidade valorizarem o que elas têm. O conhecimento pode ser adquirido em todos os lugares, basta saber procurar. Todo lugar tem uma história. As pessoas que estão ao redor é que fazem história.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Entrevista: Denise Francisca de Oliveira Santos

O deslocamento de retina que, em um primeiro momento, teria afastado Denise apenas temporariamente do emprego, acabou por fazer com que alterasse definitivamente o rumo que seguia até então. Moradora do Salgueiro, favela na Zona Norte do Rio, ela trabalha para o fortalecimento cultural da comunidade. Entre as iniciativas que desenvolve estão aulas de capoeira e a criação da primeira biblioteca comunitária na localidade. Denise esteve presente no 7º encontro do Projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de novembro, contribuindo para a conclusão do mapeamento cultural do Salgueiro desenvolvido por jovens da comunidade.




O que acha de uma iniciativa de mapeamento de atividades culturais no Salgueiro?

Denise Francisca de Oliveira Santos: É uma boa iniciativa. Ajuda as pessoas que vivem no Salgueiro a conhecer melhor a comunidade e pode incentivar que pessoas de fora visitem a localidade. O mapeamento está muito interessante, focado nas questões da comunidade, sua história, seus pontos turísticos. 

Já soube de iniciativas parecidas com essa?

Denise Francisca: Eu tenho dois mapas do Salgueiro, mas o foco deles são as áreas de risco. É bem diferente, não? Quando há previsão de chuva forte, a Defesa Civil entra em contato comigo para que eu alerte as pessoas que vivem em áreas de risco para que saiam de suas casas e vão para o ponto de apoio, que é a quadra.

Depois de publicado, o que a comunidade poderá fazer para que o mapa seja potencializado?

Denise Francisca: Os jovens envolvidos no projeto levantaram vários pontos. Eu acho que para o Salgueiro entrar na rota de visitação  é necessário mostrar mais a sua história. As pessoas mais antigas têm muitas informações, os jovens podem se inteirar mais, saber mais coisas da comunidade onde vivem. Como explicar os nomes das localidades dentro do Salgueiro? Por que determinada localidade antes era denominada Pedacinho do Céu, por exemplo? O que hoje é o Bar do Cisne, um dos pontos levantados, antigamente era onde a nata do Salgueiro se reunia para compor os sambas. Mostrar a nossa história é muito importante para fortalecer esse mapa.

Você tem um papel importante no fortalecimento da cultura no Salgueiro. Entre as atividades que desenvolve estão aulas de capoeira.

Denise Francisca: Há mais ou menos 10 anos comecei a dar aula de capoeira. Eu dava aula, mas também trabalhava fora, como cobradora de ônibus.  Fui afastada por causa de um deslocamento de retina, que fez com que perdesse uma vista. Nesse período de afastamento, passei a observar mais a comunidade. Um dia, em casa, escutei duas crianças conversando. Uma delas disse que queria ser a polícia, para prender os bandidos. E a outra disse: “Mas é muito melhor ser o bandido”. Pensei que precisava fazer algo para mudar aquela realidade. O meu problema na vista fez com que eu passasse a ver a vida de forma diferente. A partir disso, comecei a montar uma biblioteca comunitária e intensifiquei as aulas de capoeira.

E a biblioteca é muito visitada?

Denise Francisca: Não existia nenhuma biblioteca no Salgueiro. As crianças e adolescentes até 15 anos visitam. Recebemos cerca de 50 visitas ao mês. Temos mais ou menos 2 mil livros, de literatura, ensino fundamental e médio, direito, administração. Os livros vêm através de doações dos moradores, de bibliotecas, do Wal Mart.  Já temos muitos livros do ensino fundamental, mas outras publicações são muito bem vindas.

Mais informações: dedecapoeira@yahoo.com.br.

Entrevista: Nélio de Oliveira

Seu Nélio esteve presente no 7º encontro do projeto Intercâmbios JuventudeArte, no último sábado, 12 de outubro. Participou da elaboração de texto histórico do Morro da Providência, Centro do Rio de Janeiro, que será publicado no mapa cultural da localidade desenvolvido por jovens moradores. Ele é uma referência no Morro da Providência por sua atuação em defesa dos direitos da comunidade e pela coordenação do projeto Escola de Percussão da Providência. 



Como o projeto de percussão começou na Providência?

Nélio de Oliveira: Em 2001, eu me aposentei e não queria mais saber de nada. Na semana seguinte, me ligaram da Prefeitura dizendo que queriam que eu tocasse um projeto de percussão na comunidade. Eu me propus apenas a uma experiência de 60 dias e já se passaram 10 anos. Depois de mudanças na Prefeitura, o projeto não teve mais andamento no âmbito governamental e, então, eu passei a tocar por conta própria.

Quem participa do projeto?

Nélio de Oliveira: Crianças a partir dos 5 anos até os 21 anos. Atualmente, temos cerca de 80 inscrições. Isso porque 40 pessoas deixaram de integrar o projeto depois que 60 famílias foram removidas da Ladeira do Farias por conta do Morar Carioca. Ao todo, já passaram 800 alunos pelo projeto. Alguns atuam na área de percussão, como ritmistas, já viajaram para o exterior para trabalhar.

Qual a importância de um projeto como esse?

Nélio de Oliveira: Ocupa os jovens, evita a ociosidade. É uma exigência do projeto que os participantes frequentem a escola. Eu peço para ver boletim escolar. Fico muito atento se as crianças estão faltando às aulas. Nós também nos apresentamos nas escolas, nas festividades.

O que o senhor acha de jovens terem sido convidados a fazer um mapeamento cultural da Providência?

Nélio de Oliveira: É muito bom para esses jovens fazer esse mapeamento. Outras comunidades deveriam criar grupos para fazer um levantamento como esse.  Saber por que residem no morro, quais as primeiras famílias que surgiram. Os jovens têm que conversar com os mais velhos, ter a escola da vida, viver o ambiente onde moram.

O projeto está estimulando que os jovens conversem com pessoas da comunidade para resgatar esse histórico...

Nélio de Oliveira: Eles estão entrando em contato com a história. É preciso saber o passado. Fiquei feliz quando vi meninas envolvidas com o projeto na casa da dona Dodô da Portela [ex-porta-bandeira brasileira]. Então elas disseram: “Também temos que falar com o seu Nélio”. Então eu disse: “Sou eu”. Elas me convidaram para vir aqui hoje.

Gostou do que viu do levantamento dos pontos culturais feito pelos jovens?

Nélio de Oliveira: Sim, os pontos principais são aqueles mesmos. É muito bom também o mapa vir com entrevistas e textos, porque o tempo passa e essas informações acabam sendo esquecidas. É preciso documentar.

Que frentes poderão ser abertas a partir do mapa cultural da Providência?

Nélio de Oliveira: Esse mapa alerta moradores sobre a situação pela qual estamos passando. É um instrumento de luta, pois uma vez que registra o passado da comunidade e como é hoje, alerta para possíveis modificações na comunidade. Faz com que moradores pensem que com algumas obras que estão sendo propostas para a Providência, podemos perder moradores, mudar alguns espaços. 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entrevista: Pedro Jorge Olímpio de Souza

Seu Pedro é morador do Salgueiro há 53 anos, ou seja, toda a sua vida. Seu bar, o Cantinho do Papai, é um dos pontos que estará presente no mapa cultural dessa comunidade, localizada na Tijuca, Zona Norte do Rio. O estabelecimento, herdado dos pais, tem história na favela. Segundo ele, os avós dos jovens do Salgueiro que participam do Projeto Intercâmbios Juventudearte já frequentavam o lugar, o único que oferecia um “bailezinho”.




Como vê a iniciativa de criação de um mapa cultural da comunidade do Salgueiro?

Pedro Jorge Olímpio de Souza: Acho legal, muito bom. Eu sou antigo aqui, então conheço muita coisa. Os jovens pensam que sabem, mas não conhecem. Tomara que leiam esse mapa e incentivem as crianças e pré-adolescentes a conhecerem mais a comunidade.

E o projeto estimula também o intercâmbio entre jovens de diferentes comunidades. Além do Salgueiro, existem jovens da Providência, no Centro, e do Morro dos Cabritos/Tabajaras, em Copacabana.

Pedro Jorge: Os jovens do Salgueiro precisam conhecer pessoas de outras comunidades, interagir, bater papo, conhecer outros espaços. Esse trabalho que esses jovens estão fazendo é muito bonito. Eles estão fazendo algo pela comunidade, interagindo. Isso tem que continuar. Eu desejo que, a partir disso, outras coisas ocorram. Eles têm que aproveitar essa oportunidade de estar em grupo para realizar iniciativas.

O que acha do seu bar estar sendo apontado como um dos pontos culturais do Salgueiro?

Pedro Jorge: Ótimo! Vejo como algo muito positivo para o meu estabelecimento. Amanhã ou depois eu posso fazer algo mais sofisticado, colocar na Internet, no Orkut. O meu bar era da minha mãe. Os avós desses jovens que participam do projeto já frequentavam. Sempre foi um ponto de encontro. Era o único que tinha um bailezinho.

Acredita que a participação de jovens de comunidades em um projeto como esse provocará transformação na visão que têm do local onde vivem?

Pedro Jorge: Sim, transforma. Tem muitos aqui que não conheciam a história do Salgueiro. Hoje estão sabendo através de conversas com pessoas mais velhas para o projeto. Eles estão abrindo a mente.

Existem muitas ações culturais no Salgueiro?

Pedro Jorge: Tem o bloco Raízes, que existe há mais de 16 anos. Com o mapa, as pessoas de fora poderão chegar. Tem o Caxambu, que foi trazido para o Salgueiro pelo meu pai. Minha avó, que foi filha de escravos, falava muito da roda de Caxambu. Quando o meu pai faleceu, parou. Há mais ou menos 10 anos, o Caxambu voltou para a comunidade, através do Rogerinho do Salgueiro. Muitas das senhoras que participavam na época do meu pai voltaram a dançar. E há jovens também. O Caxambu costuma acontecer na quadra do bloco Raízes, quando há algum evento. 


Foto: Ratão Diniz

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Entrevista: Cabbet Araújo

O produtor Cabbet Araújo tem um importante papel de articulação cultural no Morro dos Cabritos/Tabajaras, em Copacabana. Em parceria com moradores da comunidade, criou o Círculo Cultural Abraço da Paz, evento que prevê a realização de atividades de arte e cultura na Ladeira dos Tabajaras e seu entorno. Além disso, está recuperando um prédio abandonado da comunidade, o Lajão, para torná-lo um espaço cultural permanente na favela. Vale a pena conferir as suas impressões sobre o projeto Intercâmbios Juventudearte.


Como vê um projeto de mapeamento de iniciativas culturais em uma comunidade como o Cabritos/Tabajaras?

É muito importante, principalmente por dar oportunidade de os jovens da própria comunidade participarem. O resultado final vai refletir o que eles mesmos vêm apresentando no decorrer do processo de criação do mapa. É um incentivo maravilhoso.

De que forma um mapeamento como esse poderá promover transformações na vida dos jovens envolvidos?

Esse projeto mexe muito com a auto-estima da comunidade. Eles estão falando com o avô de fulano, o diretor da escola, o dono do bar... É um trabalho feito por esses jovens que vai circular em várias esferas.  A comunidade está passando por um momento de possibilidades. Os jovens precisam se antenar de que esse momento tem que ser abraçado por eles. Esse projeto incentiva que os jovens tenham vontade de participar de projetos futuros.

E como vê a proposta de interação entre jovens de diferentes comunidades?

Eu tenho conversado com os jovens do Cabritos/Tabajaras envolvidos no projeto e eles estão gostando muito. Falaram das novas amizades que estão fazendo e de possíveis intercâmbios de experiências culturais nesses territórios.


Você é um importante articulador de iniciativas culturais no Cabritos/Tabajaras. Como surgiu a possibilidade de viabilizar um espaço como o Lajão?

Nós apresentamos e tivemos 10 projetos aprovados em edital do Pronasci - Microprojetos Mais Cultura. Em vez de pagarmos aluguel para viabilizar esses projetos, tiramos 500 reais de cada um para investir na reforma de um espaço dentro da comunidade, que é o Lajão.

São as pessoas da comunidade que estão se unindo para tornar esse espaço possível. Estamos conseguindo também a adesão de empresários, que visitaram e gostaram do lugar.

Nesse último encontro do projeto, os jovens da comunidade fizeram questão que fosse realizado no Lajão. Eles querem afirmar o espaço, trazer os parceiros. O Lajão é o nosso ponto, o nosso lugar de atividades.


Além de seu envolvimento com a iniciativa de tocar esse grande projeto que é o Lajão, que outras iniciativas toca na comunidade?

Tem o Abraço da Paz, que é uma iniciativa mais agressiva, pontual, de incursão cultural na comunidade. Começou em 2009, depois do massacre que houve no Tabajaras. Desde então, não consegui mais parar de fazer.
Existem muitas ações culturais no Cabritos/Tabajaras?

Acho que ainda existem poucas ações culturais. A UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] não pode ser só uma polícia na favela. A UPP já está há dois anos no Tabajaras e a melhoria dos acessos à favela ainda não foi feita. Quando esses acessos forem facilitados, acho que ocorrerão muito mais iniciativas culturais. É preciso que os acessos sejam mais convidativos. A vida toda a favela foi vista como lugar de bandido. Favela não é lugar de bandido, isso não é verdade. Bandido tem em todo o lugar. Foi o estado que nos proporcionou essa visão.

Fotos: Divulgação.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Entrevista: Fred Paredes



Por meio de estímulos corporais é possível ter outra postura diante do mundo, promover mudanças de atitudes e comportamentos. Essa é a proposta do bailarino e coreógrafo Fred Paredes, que esteve presente no segundo encontro do projeto Intercâmbios Juventudearte, como convidado. Não é a primeira vez que integra iniciativas do Programa Juventude Transformando com Arte, coordenado pelo Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP), e a possibilidade de entrar em contato com expressões culturais muitas vezes invisíveis na nossa sociedade é algo que o estimula a continuar investindo nessa parceria.

Você propôs atividades corporais para os jovens. De que forma essas atividades potencializam os objetivos do projeto?

Fred Paredes - A minha proposta foi trazer a experiência corporal, a vivência do corpo, para desarmar os condicionamentos. O meu interesse é que o participante possa se servir de uma escuta corporal para poder se recolocar, mudar de atitude. Eu crio situações com as quais não estão acostumados, crio provocação. Achei um barato a experiência. Esses jovens são muito vivos, têm uma potência de vida muito forte.

O que mais chama a sua atenção na proposta do projeto Intercâmbios Juventudearte?

Fred Paredes - A iniciativa vai promover a circulação de moradores de comunidades em diferentes favelas. Há uma situação de poder que se modifica. O Brasil tem uma vocação de encontro, de cultura partilhada. Acho importante toda iniciativa que resgate as pessoas de situações que impedem esse encontro.

E essa circulação possibilitará o reconhecimento de iniciativas culturais pelos jovens...

Fred Paredes - Os jovens geralmente se posicionam de acordo com os padrões da sociedade. São condicionados a pensar que não são agentes culturais, que a cultura está fora. O projeto irá ajudar que se reconheçam como agentes de cultura, a quebrar um pouco os lugares pré-definidos do que é cultura. O projeto está provocando o questionamento, está promovendo o bom estranhamento ao colocar pessoas de diferentes comunidades juntas, fazendo com o que os jovens vejam que há divergências e pontos em comum com seus pares de outras comunidades.



Essa não é a primeira vez que trabalha com o Programa Juventude Transformando com Arte. Na 3a Mostra Brasil, realizada no Rio de Janeiro, em 2010, você foi curador e diretor artístico da noite da dança. Como foi a experiência?

Fred Paredes – Entrei em contato com projetos de qualidade feitos em todo o Brasil. São diferentes estéticas, referências culturais. Há o frescor do que ainda não está encaixado em um ‘esquemão’, uma potência de expressão cultural no Brasil muito forte. Foi muito interessante promover o encontro de pares, integrar os grupos e dar visibilidade a esses grupos.

Fotos: Klebeandeson Duarti

Saiba mais sobre a Mostra Brasil.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Puro envolvimento – capítulo 2

Yasmin Thayná

(continuação)

Em Abril de 2010, fui a todos os dias do Iguacine. Fiquei o dia inteiro admirando aqueles cineastas que entendiam muito do assunto. E pensei: "será que eu posso chegar a ser um deles no próximo Iguacine? Será que eu posso ser uma cineasta?"

Eu fiz eletrotécnica na FAETEC de Nova Iguaçu e não tinha nada a ver com cinema. Fui convidada pelo Grêmio da escola a participar como Diretora de Políticas Educacionais. Aceitei e acabei iniciando um posto na área de cultura. Criei a primeira Feira Brasil na rede FAETEC. Levei o projeto de feira para a Ivone Landim, atual presidente do conselho de cultura , e criamos uma amizade que eu nunca imaginei que pudesse acontecer. No dia da feira, ela convidou dois repórteres da cidade, Marcelle Abreu e Jefferson Loyola, para realizarem a cobertura do evento. Eles me entrevistaram, ligaram pro coordenador da redação e ele me convidou para escrever.

Eu fui. Virei repórter da Cidade de Nova Iguaçu. Em Junho de 2010, fui contratada pela Secretaria de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Trabalhei e ainda trabalho reconhecendo os moradores, a região e exercendo um olhar mais amplo e diferente sobre a Baixada Fluminense.

Criei o "Cineclube João Luiz do Nascimento," junto com o Lorran Dias. Passávamos filmes do youtube e curtas que ganhava dos amigos que fiz durante esse início no cinema e o envolvimento com a cultura. Realizamos em cerca de 15 sessões, fizemos intervenção artística com o escritor e roteirista do filme "400 contra 1" Julio Ludemir. Isso tudo com o apoio da professora Ivone Landim.

Em Julho entrei para a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu. Fiz parte da turma de roteiro com o Raul Fernando. Lá, eu fiz amigos, fiz redes e deixei um pedaço do meu coração na biblioteca Cacá Diegues que se instala dentro da Escola de Cinema. O nosso desafio era produzir um vídeo de 3 minutos, no mês de dezembro, sobre o livro Guia Afetivo da Periferia, do escritor Marcus Vinicius Faustini - Fundador da Escola Livre de Cinema, Escola livre de Teatro, Escola Livre da Palavra, ex Secretário de Cultura de Nova Iguaçu.

Nas férias, fiz um média-metragem com a avó. Ela me deu de presente um tripé legalzinho até, de quase 1,80m. O pai tinha uma câmera digital. Peguei e fui filmar. Ela me contou a sua história e eu explorei os detalhes do dia dela. Chama-se "lembranças de minha avó." O curta foi exibido no Centro Cultural Donana em Belford Roxo. Tive o privilégio de ter sido a primeira a exibir filme na Sessão Realizadores do Centro Cultural que tenho muito carinho. (Aqui o texto que inspirou o filme).

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Puro envolvimento – capítulo 1

Yasmin Thayná


Eu tenho 18 anos e resido na cidade de Nova Iguaçu desde que nasci, ou seja, 3 de novembro de 1992. Meu envolvimento com a arte teve início depois que fiz uma viagem no carnaval para Bahia, Porto Seguro, em 2008 onde me interessei por malabares. Quando voltei para o Rio de Janeiro, comecei a fazer parte das oficinas de malabares do Espaço Sylvio Monteiro, no centro de Nova Iguaçu. Participei do grupo MACA, Movimento Alternativo de Cultura e Arte. Virei malabarista.

Em agosto de 2009, vi em frente a prefeitura da Cidade um outdoor enorme sobre o festival de cinema em Nova Iguaçu que já estava acontecendo. Pensei logo que era numa televisão de 29 polegadas. "Cinema? Festival de cinema de verdade nessa cidade? Tá zuando, né?" Liguei pro pai e ele permitiu que eu fosse. Foi mágico. Quando terminou o festival, tudo começou "novo de novo." Conheci o primeiro cineclube da minha vida: o Buraco do Getúlio coordenado por Diego Bion, na "Sessão Premiados." Após o Buraco, conheci o Cineclube Digital que realizava sessões toda segunda terça feira do mês no Sesc de Nova Iguaçu.

O ano virou. Em Janeiro de 2010, fiz uma oficina de curtas no SESC com Miguel Nagle, um grande professor de cinema que eu sempre digo que serei como ele assim que crescer. As minhas referencias artísticas são essas: os artistas de guerrilha. Para mim, é muito mais importante ver um cidadão do nordeste fazendo filme, um iguaçuano, carioca, paulista... Eu me emociono muito mais vendo um "Central do Brasil" da vida do que ver um "Acossado" do Godard. É muito mais legal ver que brasileiros estão produzindo. A satisfação é bem maior. Eu gosto muito de uma galera de São Paulo que tem um site o "cinema de rua." Fui para São Paulo esses dias e escrevi dois argumentos de curta. Mas não consegui encontrá-los, infelizmente. Eles são grande referência pra mim.

A oficina com o Miguel Nagle, durou 2 dias. Fiz o meu primeiro curta: "no ciclo eterno das mudáveis coisas". Fiquei na parte artística do filme, já que eu gostava de pintar telas a óleo em casa, li livros de arte, fui destaque em conseguir reproduzir uma pintura a guache, na aula de artes do ensino médio, a partir de uma música do Caetano Veloso "Trem das cores." E outras coisas a lápis de cor que também fiz. Mas nada muito sério. Sempre gostei das tintas.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entrevista com Igor Tadeu

Igor Tadeu, 24 anos, é ator e está em cartaz com o espetáculo Noel - O feitiço da Vila, na Casa da Gávea (novembro 2010)

JuventudeArte - Quando e por que você decidiu fazer teatro?

Igor - Embora tenha o sonho de ser ator desde que me entendo por gente, foi apenas em Janeiro de 2008 que comecei a fazer teatro. Era algo que pulsava dentro de mim e foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Realizar meu sonho!

JuventudeArte - De que maneira você acredita poder transformar o meio em que vive através da arte?

Igor - O artista é sensível e tem um olhar diferente sobre o mundo e as coisas ao seu redor, simplesmente ao conviver com os outros, ele acaba transformando as pessoas por onde passa os fazendo enxergar o mundo com outros olhos, quebrando tabus e preconceitos pré estabelecidos pela sociedade porque a arte é isso! Ela agrega, transforma e une as pessoas.

JuventudeArte - Conte um pouco sobre o seu trabalho como ator.

Igor - Minha primeira professora/diretora foi Cyda Morenixy montamos 3 peças em 1 ano durante o tempo que estudei na Spectaculu- Escola Fábrica de Espetáculos dirigido por Gringo Cardia e Marisa Orth. Depois tive o prazer de trabalhar com mais alguns diretores (Vilma Melo, Dado Amaral, Marcia Rosado Nunes, Marcio Januário, Mario Cadorna, Aziz Alkimim, Alvaro Oliveira, Sylvia Aziz, Rafaela Motta entre outros) em algumas aulas e montagens, diretores esses que foram fundamentais para meu amadurecimento como ator. No inicio desse ano entrei para escola de teatro Martins Penna onde tenho aprendido a cada dia mais sobre o ofício com mestres incríveis numa escola centenária! A primeira da America Latina. Também neste inicio de ano entrei para o Curso de Teatro Musical Brasileiro na Casa da Gávea onde tenho aprendido muito com os mestres Èdio Nunes e Jorge Luis Cardos. No primeiro semestre montamos o musical Noel O feitiço da Vila que reestréia dia 9 de Novembro na Casa da Gávea ás 21h. Para esse semestre estamos preparando um musical sobre a vida de Chico Buarque que estréia na segunda semana de dezembro. Há um ano desenvolvo um trabalho em visitas aos hospitais do Inca vestido de palhaço com o grupo Médicos do Barulho sob a supervisão de Amaury.

JuventudeArte - Que outros jovens como você estão fazendo trabalhos artísticos que você admira e gostaria de indicar?

Igor - Durante a pesquisa que fizemos com o CEPP mapeando os projetos sociais que trabalham com jovens e passamos a conhecer vários trabalhos magníficos que são pouco divulgados. Agora, nem tanto, pois muitos estão a disposição de todos através no site www.juventudearte.org.br

Mas, gostaria de indicar alguns trabalhos que conheço um pouco mais de perto e acho fantásticos: Spectaculu no Cais do porto; Tear na Tijuca; Completa Mente Souta, na Gávea; Cia Corpoafro; Centro Coreográfico, na Tijuca. Também trabalho com produção e divulgação de espetáculos no meu blog: Dicas Culturais

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Entrevista com Glaucia Fernanda Oliveira

Glaucia Fernanda, 22 anos, é dançarina da Cia Eclipse Cultura e Arte e coreógrafa. (Campinas - SP)

JuventudeArte - Quando e porque você decidiu fazer dança?

Glaucia - Tive meu primeiro contato com a dança aos 4 anos de idade. Minha mãe me colocou no balé numa escolinha perto de casa e comecei a gostar da dança. Não parava de me mexer. Alguns anos depois, entrei nas aulas de jazz, com as quais me identifiquei mais, pois é uma dança mais agitada e contagiante. Aos 15 anos conheci a Ana Cristina, hoje coordenadora da Cia. Eclipse Cultura e Arte, que me convidou para assistir aos ensaios. Logo que vi me apaixonei pela dança de rua! Desde então é essa cultura que faço e estudo. Decidi seguir a dança, pois, além de ser a melhor coisa que posso fazer, é a que, com toda certeza, me deixa mais feliz. Nada pode pagar o amor que sinto ao dançar, é o meu momento, onde todos os meus sonhos se realizam e, graças a Deus, conheço e convivo com muitas pessoas maravilhosas ao meu lado, que trabalham e fazem da arte a sua vida.

JuventudeArte - Você acredita ser possível transformar o meio em que vive através da arte? De que maneira?

Glaucia - Sim, acredito. Sem dúvida nenhuma e é com grande alegria que posso dizer que com a arte da dança, mudamos os caminhos de muitas pessoas que hoje trabalham ou passaram por nós. A Cia. Eclipse, em particular, realiza projetos sociais na cidade de Campinas oferecendo gratuitamente oficinas de dança para todas as idades e grupos específicos a ponto de dar uma opção de atividade física, lazer e formar dançarinos e também professores da área, sem contar a ideia de tirar os jovens das ruas, da violência e das drogas. Hoje temos mais de 50 jovens que fazem parte destes projetos e fazem apresentações e participam de competições. Além destes projetos a Cia. Eclipse realiza o maior evento de Breaking – um dos estilos da dança de rua – da América Latina, aqui em Campinas, a Battle of the Year Brazil. Reunimos grupos do Brasil inteiro numa disputa onde o melhor representa o Brasil no mundial fora do país. Muitos dançarinos que participaram deste evento, pelo ótimo trabalho que fazem e pela oportunidade que o evento traz, hoje estão fora do país participando de muitos campeonatos, fazendo trabalhos em todo o mundo levando o nome do Brasil em todo lugar.


JuventudeArte - Como foi a sua experiência na 3a Mostra Brasil?

Glaucia - A Mostra Brasil foi uma experiência inédita e maravilhosa pra mim e para todos da Cia. Um evento muito bem organizado, com artistas de todos os estilos e de todos os lugares, foi maravilhoso poder vivenciar a dança, música, teatro, o circo... tudo junto no mesmo espaço e com o mesmo objetivo, algo do qual nunca havíamos participado antes. Conhecemos pessoas de todos os lugares, e conhecemos lugares maravilhosos, como o AfroReggae, e fizemos amizades com outros artistas afim de realizar trabalhos futuros.

JuventudeArte – Que outros jovens, como você, estão fazendo trabalhos artísticos que você admira e gostaria de indicar?

Glaucia(Aí vão os links para os sites):

Companhia de Teatro Sia Santa - http://www.siasanta.art.br/

Centro de Dança Leonardo.Bilia - http://www.leonardobilia.com.br/

AIMEC (música) - http://www.aimec.com.br/

Banda Magnitude - http://www.magnituderock.com/

Packer Cia de Dança - http://www.balletcristianapacker.com.br/

Amazon B.Boy (dança) - http://www.amazonbboy.com.br/


Para conhecer melhor a Cia Eclipse CA:

www.eclipse.art.br
www.battlebrazil.com.br
http://twitter.com/CiaEclipseCA
http://www.grupos.com.br/blog/eclipseculturaearte/