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segunda-feira, 21 de maio de 2012

GRAFITE COLETIVO NA OCUPAÇÃO CULTURAL

A tela coletiva denominada CULTURA foi feita durante a oficina de grafite, numa parceria entre o grupo ARTEFEITO e os integrantes da 4a Mostra Brasil. Alguns jovens participantes disseram que foi uma das melhores experiências de suas vidas.



Nessa oficina vi as crianças realmente fazendo a festa quando o professor liberou para que elas grafitassem juntas a tela, que ficou linda!



O Artefeito fez questão de  mostrar algumas técnicas bem avançadas para a tela ficar perfeita!!!
E ficou !!



Fotos e texto: Kaio Silva

GRAFITE COM O ARTISTA SIPROS DURANTE A 4a MOSTRA BRASIL


Grafite da foto de Bartolomeu de Queiroz, dono da Fala Inspiradora da 3a Mostra Brasil Juventude Transformando Com Arte.

Ao redor da tenda os comentários e olhares eram de espanto e surpresa com a extrema agilidade e com a incrível semelhança da fotografia com o grafite.
O mais interessante é que nada retirava os olhares (principalmente das crianças) dos ágeis movimentos do SIPROS, grafiteiro do  grupo MATÉRIA RIMA.


Uma gari que passava pela praça ficou impressionada quando mostrei a ela a fotografia de Bartolomeu de Queiroz. Ela por diversas vezes tentou descobrir a quem pertencia a caricatura:

"Clodovil? É algum politico! Ih, sei não" - disse ela.


Perguntei se ela costuma parar para apreciar esse tipo de arte, ela disse que não.
Sempre que passa pelas ruas do centro vê, mas não pára. Acha tudo muito estranho. Mas quando viu esse teve que parar. "É muito bom, fantástico" - disse ela ao final da entrevista.

Mesmo o resultado do trabalho sendo surpreendente para os leigos no assunto, o grafiteiro SIPROS afirma que é apenas um garfite bem feito. Ele admite que deu uma caprichada, mas não se vangloria muito. Já quem estava presente na oficina garante que ele superou todas as expectativas e eu concordo!



Fotos e texto: Kaio Silva               

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Bruno Pastore responde; "é Grafitti ou Artes Plasticas?"

Entrevista com Bruno Pastore, por Israel Neto
Fotos: Camila Peixoto

Conheci Buno Pastore (Educador Social, Grafiteiro, Poeta e Pai) alguns anos e sempre discutimos questões muito relevantes, então vou compartilhar algumas com vocês...

Israel - Como e quando começou no grafitti?
Bruno - Comecei desde que nasci, pois desde moleque sou chamado a atenção por rabiscar paredes. Isso é lembrado até hoje nos almoços de família, minha avó diz: "é, está vendo, aquela arte toda no que deu" - eu só dou risada e penso. Mas meu primeiro contato com o graffiti que conhecemos foi através da pixação em 1998, depois a partir de 2000, comecei a frequentar oficinas e ter contato com o graffiti.


É Graffiti ou artes plásticas?
Graffiti é uma expressão que se difere das manifestações plásticas – das artes plásticas, coisa que não deveria, pois a essência de uma obra de arte, ou qualquer manifestação humana converge no mesmo lugar, a questão é que esta essência/origem, está por um triz tanto no graffiti como nas artes plástica, e isso me intriga mais do que esta simples diferença de nomenclatura e rótulo.
Respondendo a pergunta, apesar do graffiti estar na galeria e isso legitimá-lo como artes plásticas, não gostaria de ver o graffiti como tal, não encaro ele desta forma, pois tudo que é deslocado de sua origem/essência tende a perder o real sentido, e isto é uma transição delicada para qualquer manifestação humana, resumindo à uma simples experiência estética, entrando no plano do gosto, sendo absorvido e suprimido do seu real objetivo, que é a manifestação incondicional do espirito, do homem para ele mesmo.

É possível viver da arte na periferia?
Creio piamente que sim, exemplo disso são as doceiras, costureiras, os mecânicos e muitos outros artesãos que fazem do fruto de seu ofício, seu próprio sustento. Creio que com organização, trabalho e coragem, tudo é possível neste mundo vasto, pois a geografia foi inventada e é superável, o erro é nos restringirmos a ela e não querer reinventá-la .

O que é “Juventude Transformando com arte” pra você?
Bela pergunta, e de difícil resposta.
Só consigo contorná-la, partindo de uma experiência real quando em uma oficina de criação poética, fui interpelado pelo profundo fracasso e, com ele aprendi que não se ensina ninguém a ser poeta, poeta é poeta por si próprio e só, mesmo que nunca tenha feito um poema.
Aprendi com os jovens da oficina que, levar a poesia para o seu estado original – do acontecimento na integra- é a melhor forma de criar poesia. Aprendi com eles que criar poemas tem pouca importância, vi que o lugar de ouvir o outro, de olhar no olho do outro, ouvir e falar, trocar e criar experiências reais tem maior valor do que criar poemas. Talvez juventude transformando com arte seja uma juventude que não fique restrita as artes, e sim uma juventude que resgate de fato, através da arte ou de qualquer outra forma, as relações humanas.

Bruno Pastore
www.flickr.com/photos/pastore4life
http://www.literalmentepastore.blogspot.com/